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STF

Interagir com a tornozeleira não significa tentativa de fuga, diz advogado de Bolsonaro

Paulo Cunha Bueno afirma que ex-presidente sofreu surto provocado por combinação de medicamentos psiquiátricos
Redação
27/11/2025 | 16:26

O advogado de Jair Bolsonaro (PL), Paulo Cunha Bueno, afirmou em entrevista à GloboNews que o ex-presidente não tinha intenção de fugir quando tentou violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, ato que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a determinar sua prisão preventiva.

“Você simplesmente interagir com a tornozeleira não significa, não equivale dizer que você pretendia fugir. A fuga seria uma estrutura complexa. Se ele pretendesse fugir, ele ia cortar a tornozeleira”, disse.

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Paulo Cunha Bueno diz que Bolsonaro tentou retirar tornozeleira após surto causado por medicação - Foto: Reprodução

Segundo Cunha Bueno, o condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar possui presença de policiais federais, o que impossibilitaria qualquer saída. “Ele não teria como fugir. Uma pessoa como o presidente Bolsonaro, se colocar o pé na esquina é reconhecido”, afirmou.

O advogado disse ainda que Bolsonaro sofreu um surto ao tentar retirar o dispositivo de monitoramento e associou o episódio ao uso de três medicamentos psiquiátricos. “Essa medicação nova foi prescrita três dias antes do episódio”, declarou.

“Você uniu uma medicação nova em cima de outras duas medicações psiquiátricas que já vinham sendo ministradas, um paciente idoso, portanto muito mais suscetível a interações medicamentosas. E acabou produzindo uma situação. Provavelmente acabou atuando, enfim, passando o ferro de solda na tornozeleira”.

O advogado comparou o caso ao do ex-presidente Fernando Collor, em prisão domiciliar em Maceió (AL). “A tornozeleira dele ficou descarregada por 36 horas, tempo que você dá uma volta e meia ao mundo. E não foi preso por conta disso. Desrespeitou o uso da tornozeleira? Desrespeitou”, afirmou.

A Primeira Turma do STF decidiu por unanimidade manter a prisão preventiva de Bolsonaro. Relator da trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes converteu a prisão domiciliar em preventiva após a tentativa de violação do equipamento no dia 22. Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia votaram pelo mesmo entendimento.

No dia 25, Moraes decretou o fim do julgamento e o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses aplicada em setembro, quando Bolsonaro foi condenado por liderar uma organização criminosa que tentou impedir a posse do presidente Lula e subverter o Estado democrático de Direito. Ele permanece na superintendência da Polícia Federal em Brasília.