A dança-performance “SAL, como durar no tempo” encerra suas apresentações nesta sexta-feira 24, às 16h30, na Praça Santa Paula Frassinetti, em Felipe Camarão, Zona Oeste de Natal. O acesso é gratuito, com audiodescrição e interpretação em Libras.
A montagem é o resultado de 12 dias de residência artística conduzida pela Torta Plataforma em parceria com o Coletivo A Gente, reunindo mais de 15 artistas de diferentes trajetórias em torno da pergunta: como durar no tempo? O sal, elemento simbólico e ancestral, surge como metáfora da resistência e da permanência, inspirando gestos, afetos e modos de existir à margem dos grandes centros e circuitos da arte contemporânea.

Mediado por Alexandre Américo e Pedro Vitor, o processo criativo foi inspirado nos happenings dos anos 1960, cruzando linguagens da dança, teatro, artes visuais e cinema. A residência refletiu sobre a potência dos corpos dissidentes e a criação artística em contextos de vulnerabilidade social, propondo um novo olhar sobre a periferia como território de invenção estética e política.
“É uma peça sobre a capacidade de manter-se vivo, por meio da inteligência oculta que rege os corpos que dançam, mesmo em ambientes fora do comum. ‘Como durar no tempo’ reflete as condições precárias de um agrupamento de artistas, majoritariamente com deficiência, que tentam esticar suas próprias existências e querem se fazer ver”, explica Alexandre Américo, artista e pesquisador responsável pela direção do projeto.
A maior parte do elenco é formada por jovens de Felipe Camarão, incluindo dez dançarinos, um músico, dois narradores, uma VJ, uma artista visual, um intérprete de Libras, um fotógrafo e um videomaker. A multiplicidade de expressões reforça o caráter colaborativo e expandido da montagem, construída como uma rede de interações e criação compartilhada.
Para Raphael Formiga, 23 anos, morador do bairro e participante do espetáculo, a experiência é um ato de resistência e afeto. “Cada pessoa que participa deixa um rastro vivo, e é dessa soma contínua e persistente que nasce algo que realmente dura e que vive. Doa a quem doer, estamos aqui”, afirma.
“SAL, como durar no tempo” é uma realização da Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Rio Grande do Norte, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.