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Bancas que resistem

“Bancas que resistem”: Super Banca Céu Azul, 42 anos de história em Mirassol

De cigarreira a símbolo de resistência, banca é o orgulho de João Maria Feitosa
Fernando Azevêdo
16/09/2025 | 05:20

A Super Banca Céu Azul, fundada em 4 de abril de 1983, em Mirassol, resiste ao tempo e às transformações do mercado editorial. Seu fundador, João Maria Feitosa, atribui a longevidade da banca ao amor pelo trabalho. A banca, que iniciou como uma pequena cigarreira, foi o pilar para a educação de sua filha, Vanessa Feitosa, hoje formada em Enfermagem.

João Maria, 60 anos, diz que sua banca não está à venda, independentemente da proposta. “Foi aqui que eu comecei e é aqui que eu vou terminar. Estou perto de me aposentar, mas aqui é meu hobby. Não me desfaço de jeito nenhum. Já disse pra minha filha: quando eu partir, você pode até alugar, mas nunca venda”.

“Bancas que resistem”: Super Banca Céu Azul, 42 anos de história em Mirassol
Banca fica na Av. Santos Dumont, em frente à Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório - Foto: José Aldenir / Agora RN

Ao longo de seus 42 anos, a banca já contou com nove auxiliares. Hoje, essas pessoas têm profissões como guarda municipal, médico, professor universitário, servidor do Tribunal Regional Eleitoral, cabeleireiro e maquiador.

Tudo começou em uma época em que o acesso à informação dependia muito do papel. João, então trabalhador de padaria, resolveu investir na venda de jornais e revistas. A reação dos amigos foi contrária. “Como é que você vai sair do seu emprego pra montar um negócio?”, questionavam.

O nome “Céu Azul” foi inspirado na rua Céu Azul, no Conjunto Santarém, onde João Maria morou. A banca, inicialmente, vendia de tudo, desde graxa para sapatos e material de escritório até alimentos como arroz e ovos. João conta que, com uma estrutura modesta, passou um tempo poupando o salário da padaria para investir no negócio.

Nessa época, um dos principais atrativos do jornal eram os classificados. Aos finais de semana, o movimento era intenso para comprar o produto impresso e ver as oportunidades de empregos, casas e terrenos. As plataformas digitais mudaram essa realidade, mas ainda há clientes que acordam cedo para comprar jornal e pegar o exemplar gratuito do AGORA RN, garante o jornaleiro.

Os principais clientes são as pessoas idosas, e o principal produto são as revistas de palavras cruzadas. João Maria também teve um restaurante e uma loja de material de construção, mas atualmente só mantém a banca. Ao longo de sua trajetória no comando da banca, ele relembra o fechamento de jornais como o Poti, o Jornal de Natal e o Jornal de Hoje.

“Hoje, as vendas estão muito fracas. Eu não aconselho mais ninguém a instalar uma banca. Ainda estou resistindo. Tudo que eu tenho foi adquirido aqui”, diz ele, com orgulho. O natalense se diz grato por ter conseguido comprar dois apartamentos e uma casa para a filha com esse trabalho.

A banca está localizada na Avenida Santos Dumont, em frente à Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, o que é uma fonte constante de motivação para o jornaleiro: “Sou muito grato a Deus, e segundo à minha banca. Trabalhar em frente à igreja me dá muita força e muita fé para eu continuar trabalhando.”

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