Com o início da temporada de 2024 neste mês de janeiro, a expectativa dos apaixonados por futebol era de acompanhar grandes jogos dos times potiguares nos campeonatos. No entanto, o que se tem observado, não só pelo torcedor, mas também pelos comentaristas esportivos, são partidas que deixam a desejar, com problemas no esquema tático e falta de entrosamento entre os jogadores.
Em entrevista ao AGORA RN, o colunista e comentarista esportivo Pedro Neto aponta que “é de se lamentar” e que “se esperava muito mais” dos times da capital, ABC e América, principalmente devido aos altos investimentos feitos no time para a temporada deste ano. Em relação ao ABC, o comentarista cita a má atuação do time nos dois jogos da fase classificatória da Copa do Nordeste, apesar de ter conseguido a vaga para a fase de grupos.

“O ABC disputou dois jogos pela pré-copa do Nordeste, onde não foi bem em nenhum dos dois jogos. Passou, entrou para a fase de grupos, maravilha, mas não foi bem em nenhum dos dois jogos”, diz.
Por outro lado, o comentarista esportivo Dionísio Outeda argumenta que é comum os dois times oscilarem e terem pouca intensidade nas partidas durante os primeiros jogos, visto que o América jogou apenas três partidas e o ABC quatro, além das reformulações após a caída do alvinegro para a série C e o alvirrubro para a D. “Ambos estão devendo, mas devemos considerar todos esses aspectos”.
Além disso, Pedro Neto cita o baixo rendimento do time alvinegro nas demais competições, como o Campeonato Potiguar. “Agora no Campeonato Estadual está sentindo isso aí. Tanto é que a última partida apenas empatou com a Força e Luz”, comenta. Após golear o time elétrico por 6 a 0 no primeiro jogo do Campeonato Estadual na quarta-feira 17, o ABC empatou com o Força e Luz quatro dias depois no Barretão, em Ceará-Mirim.
Em relação ao esquema tático, o colunista afirma que nenhum tem dado certo para o América e o ABC. Na equipe alvirrubra, o Pedro Neto cita o uso dos jogadores em uma linha defensiva. “Para ter ideia, na partida contra o Potyguar de Currais Novos, o América terminou [o jogo] com três zagueiros, três volantes, dois meias e apenas um atacante. Quer dizer, é difícil, muito difícil mesmo você conseguir jogar desse jeito”, lamenta.
No entanto, ele diz ainda ter uma expectativa para o melhor rendimento do América devido ao investimento feito pelo time no atual técnico e nos jogadores. “Mas se espera muito, muito, muito mesmo do América, até porque o poder de investimento é alto e Marquinhos Santos, que é o técnico América, não é um técnico barato. Então, tem muita coisa a melhorar na equipe rubra, principalmente do meio para frente”.
Dionísio, por sua vez, aponta que mesmo os times não trazendo resultados ruins, ainda precisam ficar mais soltas do ponto vista físico, mais entrosadas e errando menos. “O América fez seu melhor primeiro tempo em Currais Novos contra o Potyguar. Depois com as mudanças sem nexo do técnico Marquinhos Santos a equipe voltou a oscilar. O ABC goleou o Força e Luz no meio da semana (6 a 0) e três dias depois arrancou um empate no apagar das luzes contra esse mesmo rival”, conta.
Entretanto, ele ressalta a questão dos erros dos esquemas táticos escolhidos pelas equipes técnicas, que têm influenciado negativamente no decorrer das partidas. “Os técnicos vão mudando os esquemas com o andar da temporada. Muitas vezes o técnico aposta numa determinada plataforma de jogo que na prática não funciona e depois é obrigado a mudar. Tanto ABC como América ainda não se encontraram nos respectivos esquemas. Em parte também porque precisaram mexer muito nas escalações, poupar alguns jogadores e outros que pouco renderam”.
RENDIMENTO COLETIVO E INDIVIDUAL
Ainda segundo o jornalista, o entrosamento das equipes parte também de jogadores que são grandes promessas de ambos os times, mas que ainda não renderam individualmente. “No ABC, jogadores que se espera muito, como o Diego Jardel, como o Alisson, o próprio El Búfalo, não conseguem render. E no América, desde o ano passado, os mesmos problemas de sempre, com o Rafinha, com o Mateuzinho, o próprio Souza, que acabou de chegar, esses jogadores não conseguiram render ainda”, relata.
Dessa forma, ele comenta que para se ter um bom rendimento coletivo, será necessário um pouco mais de tempo, mesmo sendo algo que preocupa a torcida devido à proximidade da Copa do Nordeste . “Entrosamento você não compra na primeira esquina, tem que esperar acontecer, mas infelizmente, tanto a ABC como a América tem deixado muito desejar e tem deixado seus torcedores preocupados em relação à Copa do Nordeste”.
O mesmo é citado por Dionísio, que afirma também a necessidade do alvinegro e do alvirrubro terem mais reforços. “Ambos irão precisar de reforços urgentes para encarar a Copa do Nordeste, em fevereiro, e a Copa do Brasil. O entrosamento e assimilação do esquema tático naturalmente vai encaixar no decorrer dos campeonatos. Evidente que quem demorar mais irá pagar um preço por isso. Quem se encaixar primeiro tende a fazer um melhor campeonato”, afirma.