Com a chegada do verão, período de férias escolares e viagens, a exposição ao sol se torna mais comum, pois muitas pessoas desejam aproveitar a estação mais quente do ano. No entanto, é necessário intensificar os cuidados com a pele, pois durante essa temporada a radiação solar se eleva, aumentando os riscos de desenvolvimento do câncer de pele.
O aumento dos níveis de exposição ao sol eleva os riscos associados ao desenvolvimento do câncer de pele, tornando essenciais as precauções para preservar a saúde dermatológica. Para entender mais sobre os riscos e causas dessa doença, o AGORA RN conversou com a dermatologista Ana Cláudia Nobre.

A dermatologista explica que o câncer de pele é diagnosticado através do exame físico, com o auxílio do dermatoscópio, um aparelho utilizado pelos dermatologistas que permite avaliar a lesão suspeita ou pinta com detalhes. Em casos duvidosos ou para classificar o tipo de câncer de pele, recorre-se a uma biópsia de pele com avaliação do fragmento por um histopatologista.

No verão é comum as pessoas ficarem se expondo ao sol, a médica explica que isso pode causar alguns perigos. “A exposição inadequada ao sol pode levar ao desenvolvimento dos principais tipos de câncer de pele (CBC, CEC, Melanoma), mas também ao envelhecimento precoce, manchas e desidratação. Além disso, uma exposição intensa em um curto período e sem proteção pode causar queimadura de pele e a um estado de insolação”, explicou.
Em relação aos cuidados necessários, a dermatologista alerta que a melhor maneira de se prevenir dos danos causados pelo sol é a adesão ao uso do filtro solar, com o FPS adequado, reaplicado em intervalos regulares e não abrir mão do uso mesmo em dias nublados.
Além disso, Ana Cláudia reforça sobre outros cuidados: “Outras medidas protetivas são o uso de barreiras físicas de proteção, como chapéu/boné/viseira, óculos escuros e roupas com proteção UV. Além disso, evite expor-se nos horários de pico de radiação UVB , que ocorre a partir das 10h e prolonga-se até as 16h”, ressalta.
“Além das que citei acima, é muito importante a hidratação oral, com água, água de coco e sucos, neste período do verão. Ao ir à praia, evite ficar diretamente exposto ao sol, procurando sempre uma área de sombra. Com os devidos cuidados de quem se ama, é possível aproveitar o verão e colecionar apenas boas lembranças”, completa a dermatologista.
Tratamento
A médica recomenda buscar o auxílio de um dermatologista de forma preventiva 1 vez por ano. Assim como também sempre que notar o aparecimento de uma nova lesão, pinta, mancha, verruga ou mudança de alguma pinta pré-existente. Além disso, a especialista ensina uma regra didática para auxiliar o paciente a identificar características de anormalidade em uma pinta:

Em relação ao tratamento, a doutora explica que depende do tipo de câncer e do seu estágio, ou seja, o quanto ele já avançou na pele. Dessa forma, em alguns tipos superficiais e iniciais é possível tratar com uma medicação quimioterápica tópica (em creme, aplicado sobre a lesão), com a criocirurgia (técnica que congela a lesão, levando à morte das células tumorais) e mais classicamente, e na minha opinião, mais seguro, com a retirada cirúrgica da lesão, dando-se uma margem ao redor para garantir que foi totalmente removida.
Casos
Com uma incidência anual que ultrapassa 175 mil novos casos, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele se destaca como a forma mais prevalente da doença no Brasil, sendo também a mais comum entre os seres humanos.
O Inca estima que aproximadamente 1 a cada 4 casos de câncer diagnosticados tem origem na pele ou nas mucosas, evidenciando a relevância desse tipo de câncer na realidade brasileira.
A previsão dada pelo Inca, através de um estudo que eles publicam, para o triênio de 2023-2025 é de 3.460 casos de câncer de pele não melanoma e 110 casos de pele melanoma (o tipo mais grave) por ano, no Rio Grande do Norte.
Em 2023, a Liga Contra o Câncer tratou de 2727 casos do tipo Pele Não Melanoma e 115 casos do tipo Pele Melanoma. O melanoma, representando uma parcela menos comum (5%) em comparação a outros tumores de pele, destaca-se por seu comportamento frequentemente mais agressivo.
Derivado dos melanócitos, células responsáveis pela produção do pigmento (melanina) que confere cor à pele, esse tipo de câncer se manifesta geralmente sob a forma de pintas escuras, variando entre tons de negro e castanho.