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Opinião

O RN e o desperdício de tempo e energia; leia opinião do AGORA RN

O que estamos testemunhando é, na verdade, uma guerra entre governo e oposição, na qual ambos lutam pelo poder e pela derrota do adversário, em vez de discutir efetivamente o futuro do Estado
Redação
10/11/2023 | 05:00

É com profundo desapontamento que observamos a classe política, mídia e opinião pública do Rio Grande do Norte dedicarem um tempo e energia desproporcionais a uma discussão que, embora relevante, está sendo excessivamente politizada. A prorrogação do ICMS em 20% para o ano de 2024 merece sua devida importância, mas há questões de maior impacto econômico para o Estado que estão sendo negligenciadas.

O RN enfrenta desafios monumentais, desde políticas de desenvolvimento econômico até a geração de empregos, infraestrutura deficiente, educação, saúde e segurança pública em crise. O tempo e energia que estão sendo gastos nessa discussão do ICMS são um reflexo do grau de politização que tomou conta do debate.

Secretário de Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, discursa durante audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir projeto que mantém ICMS em 20% - Foto: ALRN
Secretário de Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, discursa durante audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir projeto que mantém ICMS em 20% - Foto: ALRN

Se uma fração do esforço dedicado a essa discussão fosse canalizada para debates maiores, como soluções para os tradicionais desafios do Estado, projetos de grande envergadura, inovações, modernização, o RN estaria em um caminho muito mais promissor. Em vez disso, estamos paralisados pela falta de visão de grandeza.

O que estamos testemunhando é, na verdade, uma guerra entre governo e oposição, na qual ambos lutam pelo poder e pela derrota do adversário, em vez de discutir efetivamente o futuro do Estado. Isso revela a pequenez de pensamento e a ausência de visão de grandeza, que priorizam questões de menor impacto em detrimento dos interesses reais da população.

O RN é um dos estados mais atrasados do Brasil em praticamente todos os indicadores. Isso não é mera coincidência, mas sim o resultado de décadas de negligência, politização excessiva e políticas de curto prazo em detrimento do desenvolvimento sustentável.

Nossa elite parece não se importar com o futuro do Estado, priorizando seus interesses imediatos em vez de pensar estrategicamente. Nossa imprensa, como apontado por jornalistas de outras regiões, muitas vezes carece de criticidade, e parte representativa dela estaria escancaradamente comprometida com interesses de determinados grupos políticos – enviesando o debate inescrupulosamente.

A opinião pública também não está isenta de culpa, muitas vezes sendo pouco exigente ou mal-informada. Precisamos elevar nossos padrões e exigir mais de nossos líderes e daqueles que moldam a opinião pública.

É desolador imaginar que o RN possa permanecer nesse ciclo de mediocridade. No entanto, é imperativo que a sociedade se una para mudar essa trajetória. O RN merece um futuro melhor, baseado em políticas de visão, liderança verdadeira e um compromisso real com o progresso e o desenvolvimento. O tempo de gastar recursos preciosos em discussões excessivamente politizadas chegou ao fim; é hora de mirar nas estrelas e lutar por um RN mais próspero e promissor.