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Economia

Presidente da FIERN participa de reunião sobre projeto do ICMS em 20% e faz alertas da indústria

Projeto segue em discussão na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte
09/11/2023 | 09:18

O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, alertou para as preocupações do setor produtivo com o aumento da carga tributária no Estado, ao participar, nesta terça-feira (7) da sessão conjunta das Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Finanças e Fiscalização (CFF) da Assembleia Legislativa (AL). A reunião da CCJ e CFF foi convocada para discutir o projeto de lei, de iniciativa do governo do Estado, que pretende manter a alíquota do ICMS de forma definitiva em 20%. A alíquota neste patamar atualmente é temporária pela legislação em vigor. Se o projeto não for aprovado na Assembleia, volta para 18% em 2024.

O projeto de lei complementar enviado pelo Executivo para votação na AL, em 18 de outubro, estabelece alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadoria (ICMS) em vinte pontos percentuais e está em tramitação no Legislativo estadual. O aumento em dois pontos percentuais (dezoito para vinte por cento) foi aprovado, no final de 2022 pela Assembleia Legislativa, proposto pelo Executivo, e passou a vigorar a partir do dia 1º de abril, com duração até 31 de dezembro, previsto retornar aos 18%, em janeiro do próximo ano.

Presidente da FIERN participa reunião na Assembleia sobre projeto do ICMS em 20% e alerta para preocupações da indústria (2) (1)
Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, falou sobre demandas da indústria potiguar durante reunião na ALRN

“Avalio que a reunião [na Assembleia legislativa] foi positiva. A FIERN esteve presente e expressou as preocupações da classe empresarial”, afirmou Roberto Serquiz. “Essas preocupações dizem respeito à competitividade da produção do Estado e ao fortalecimento da indústria”, acrescentou. Ele citou que a indústria de transformação tem uma sobrevida no RN em função do Proedi e o projeto que mantém a alíquota em 20% definitivamente agrava mais essa situação que compromete a competitividade dessa atividade.

“Um aumento nesse momento vai sufocar esses setores. O Rio Grande do Norte sobrevive economicamente por suas vocações naturais. É preciso deixar isso claro. Apresentamos números que demonstram a necessidade de cuidar de um plano de contenção das despesas públicas. A arrecadação é crescente. Mas é fundamental uma atenção com a outra ponta, dos gastos públicos, sem aumentar os tributos”, defendeu.

Ele alertou que o crescimento da carga tributária significa preços mais elevados, com os inevitáveis impactos no mercado. “Isso chega ao chão de fábrica, com custos para a atividade produtiva e tem impacto para o consumidor, embora as empresas não consigam repassar totalmente”, afirmou Roberto Serquiz.

Durante o pronunciamento na reunião conjunta das Comissões da Assembleia , o presidente da FIERN ressaltou que os números mostram um colapso da gestão fiscal e financeira do Estado. “Isso não é algo novo, vem há treze anos”, citou. Ele lembrou que em outros momentos houve o uso do fundo previdenciário e aumentos de alíquotas de 17 para 18%. “Mas não resolveu o problema”, pontuou.

Presidente da FIERN diz que infraestrutura do RN não favorece ao desenvolvimento

O presidente da FIERN disse que com a capacidade de investimento retraída, o Rio Grande do Norte tem hoje uma infraestrutura precária e que não favorece ao desenvolvimento. “A indústria é produtora de progresso. Mas a situação é de dificuldades para a atividade. Não temos um porto, há um aeroporto ‘sonolento’, as estradas são precárias. E isso preocupa os empresários, porque impõe muitas dificuldades. A maioria da produção do Rio Grande do Norte para exportação precisa escoar por portos de estados vizinho”, apontou.

Nessa situação, a indústria de transformação enfrenta desafios que são difíceis de superar. “Só está viva, graças ao novo Proedi. Isso deu um fôlego, uma sobrevida”, disse. Mas em seguida, alertou que a manutenção dos 20% pode agravar os problemas, uma vez que teria implicações. “A reversão dessa realidade também precisa de um plano de contenção [das despesas públicas]. Temos de um lado uma arrecadação que cresce, mas de outro um gasto com um peso muito grande no Estado”.

Roberto Serquiz afirmou também que os estudos e acervo do “Observatório da Indústria Mais RN ” da FIERN estão disponíveis para contribuir para um plano de recuperação econômica do Estado.

Durante a reunião conjunta da CCJ e CFF da Assembleia, o gerente do Observatório da Indústria Mais RN, Pedro Albuquerque, apresentou números sobre a situação fiscal do Estado. Um dos quadros mostrados informa que a receita corrente líquida estadual, entre 2018 e 2023, aumentou 66%. No mesmo período, os gastos com encargos sociais e com pessoal subiram 84,5% e os investimentos reduziram 47,64%.

Ao mesmo tempo, no ranking de competitividade divulgado pelo Centro de Lideranças Pública, o Rio Grande do Norte ficou em 23º lugar na classificação geral entre os Estados brasileiros e em 8º entre os nordestinos. No item solidez fiscal, a colocação geral foi a 26 º, segundo o levantamento da CLP, apresentado por Pedro Albuquerque. Na abertura do encontro, o secretário da Fazenda e da Tributação, Carlos Eduardo Xavier, fez a defesa do projeto e resumiu as justificativas do Executivo.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-RN), Marcelo Queiroz, apresentou um estudo durante o encontro onde expôs que o setor varejista teve seu crescimento reduzido e encontra-se estagnado no último trimestre desde que entrou em vigor o ICMS de 20%. Antes desse período, mostra o estudo, o setor estava entre os que mais cresciam no país.

De acordo com a Fecomércio/RN, a arrecadação do ICMS no Estado vem tendo crescimento durante os meses de 2023 graças ao valor fixo cobrado em cima do litro de combustível que passou a ser de R$ 1,22.

A sessão foi conduzida pelos presidentes da Comissão de Fiscalização e Finanças, deputados estaduais Coronel Azevedo (PL) e Francisco do PT. Após o pronunciamento das Federações empresariais os parlamentares se reservaram na tribuna pronunciamentos favoráveis e contra o projeto de lei.

Além do representante da FIERN, os presidentes da Federação de Agricultura do Estado (Faern), José Vieira; da Associação de Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), Matheus Feitosa; e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL), José Lucena, também participaram da reunião.