O Governo Lula tinha tudo para comemorar os resultados do mês de outubro.
A taxa de desemprego melhorou. No terceiro trimestre deste ano (agosto a outubro), segundo o IBGE, o índice ficou em 7,7%, o menor desde 2015. Ainda são 8,3 milhões de desempregados, mas está melhorando. A balança comercial, por sua vez, teve o melhor outubro da série histórica: saldo positivo de quase US$ 9 bilhões. Estamos exportando mais e importando menos. Bom para a economia brasileira.

Pesquisas de opinião atestam que a popularidade do presidente Lula, mesmo com a leve queda no período mais recente, é maior que o saldo eleitoral de um ano atrás. Isto é, provavelmente, as pessoas que aprovam o governo hoje votariam em Lula se a eleição presidencial fosse agora.
Mas outubro não veio só com boas notícias. O Governo Lula enfrenta uma situação que não é inédita, mas que vem se agravando: o estouro da violência, tendo como base o Rio de Janeiro.
A crise é tão grande que o presidente Lula, que disse há pouquíssimos dias que no governo dele não haveria a famosa operação de Garantia de Lei e da Ordem (GLO), que autoriza a presença militar nas ruas, nesta semana assinou um decreto que determina que vai ter sim GLO. Será apenas em alguns portos e aeroportos, mas tem GLO. O que não valia antes vai valer agora.
Esta GLO é um risco para o governo. Isso porque está se fazendo uma divulgação muito grande de que vai ser feita uma asfixia econômica nas milícias e no narcotráfico. As pessoas se perguntam: só agora? Por que isso não foi feito nos governos anteriores do PT e nas gestões de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer?
Só agora teremos a experiência de fazer um controle maior sobre toda a possibilidade de lavagem de dinheiro do narcotráfico. Vamos entrar muito atrasados nessa onda, mas tomara que dê certo.
Quando os Estados Unidos entenderam que precisavam eliminar a Al-Qaeda após o 11 de Setembro, foi na asfixia financeira que ocorreu o maior sucesso. Depois, houve outra solução, que foi eliminar o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, que foi brutalmente assassinado por uma operação militar americana.
A asfixia financeira pode realmente inibir as operações criminosas. Vamos ver se dá certo. Tomara que dê, mas é um risco inegável para o governo e também para as Forças Armadas.
*Alexandre Macedo é consultor político