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Música

Waldonys relembra Luiz Gonzaga e dá conselhos para músicos iniciantes

Cearense se apresenta em Natal neste sábado 20 no Festival MPB 84; em entrevista, ele aconselha: “acredite no que você faz”
Nathallya Macedo
16/08/2022 | 07:00

Prestes a completar 50 anos de idade, Waldonys é um dos representantes mais aclamados do forró nordestino. O cearense se apresenta no próximo sábado 20 no festival MPB 84, que será realizado na Arena das Dunas, em Natal. O evento terá a participação de bandas potiguares, através de um concurso musical, além dos shows de Fagner, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo com Chico César, no projeto Violivoz.

Em entrevista ao AGORA RN, o artista relembrou o grande ídolo e padrinho na música, Luiz Gonzaga – que é constantemente homenageado através da carreira de Waldonys. “Eu era apenas um menino cheio de timidez, cheio de sonhos, e naquela época tive que impressionar um rei. Eu queria cair nas graças dele, porque era um ídolo para mim. Fui apadrinhado por ele, que me tirou de Fortaleza e me levou para o eixo Rio-São Paulo. Gravamos juntos e fui carinhosamente chamado de ‘garoto atrevido’ por tocar daquele jeito”, contou.

waldonys
Waldonys faz show neste sábado 20 na Arena das Dunas, na capital potiguar. Foto: Divulgação

E continuou: “Eu senti uma emoção muito grande, nunca vou conseguir descrever exatamente. Luiz Gonzaga, para o forrozeiro que se preza, é na bússola o norte verdadeiro. É a minha referência. Claro que hoje não faço um show só de Luiz Gonzaga, mas tenho na minha base. Continuo aprendendo com ele, já que é um artista atemporal”.

O sanfoneiro ainda ofereceu conselhos para quem está iniciando uma carreira musical. “Às vezes, você atira no ‘comercialzão’ e passa muito rápido. Então tente fazer uma leitura do mercado, de quem é o seu público e do que vai te fazer feliz. Tem espaço para todo mundo, e todos merecem respeito”, pontuou.

Confira a entrevista completa:

Agora RN – Entre tantos artistas do forró no Brasil, você conseguiu consolidar seu nome e tem o respeito de diversos fãs. Como foi subir esse degrau?
Waldonys – Um passo após o outro, sem dar o passo maior do que a perna. É um ditado popular, mas funciona muito. Às vezes, o artista sai um pouco da sua linha atrás do imediatismo, atrás de algo muito rápido e fugaz, e aí não fica uma história. Então um caminho longo, mais duradouro, por vezes mais doloroso, tem a recompensa lá na frente. Venho dessa escola de Luiz Gonzaga, de Dominguinhos, e tenho a minha identidade e a minha personalidade. Graças a Deus, tenho um público muito fiel ao meu trabalho e isso é exatamente a recompensa de ter acreditado tanto e não ter me desvirtuado musicalmente.

Agora RN – Qual é o conselho que você deixa para quem está começando?
Waldonys – Acredite no que você faz, seja feliz na bandeira que você vai defender, no sentido bom da palavra e não no sentido de guerra de estilos, de ritmos. A música é arte, e acho que você tem que ter cuidado com o seu trabalho. Não sou o dono da verdade, mas acho que a música é divina. A música, assim como a matemática, é exata. É infinita. Quem toca um instrumento e quem canta, chega mais fácil ao coração das pessoas. Então, se você vai tocar o coração de um ser humano, você precisa ter cuidado com a mensagem que você vai deixar. Não estou dando uma de puritano ou dono da razão, mas é o que eu vejo. Às vezes, você atira no ‘comercialzão’ e passa muito rápido. Então tente fazer uma leitura do mercado, de quem é o seu público e do que vai te fazer feliz. Tem espaço para todo mundo, e todos merecem respeito.

Agora RN – Você é tão querido no RN que muita gente acha que você é potiguar. O carinho dos fãs do estado é diferenciado?
Waldonys – É diferenciado, viu? Não desmerecendo os outros estados, mas o Rio Grande do Norte tem um carinho e uma energia tão forte. O palco é um espelho, eu recebo essa energia e retribuo em forma de música. Sempre que vou tocar no RN, sei que sempre serei bem recebido, que é um público animado e que vai cantar do início ao fim todas as músicas do show, por isso fico muito feliz. Sou potiguar de coração, na minha visão. Nasci no Ceará, mas tenho um carinho muito grande pelo RN.

Agora RN – O que esperar do repertório do show no MPB 84?
Waldonys – Um show repleto de sucessos que fizeram e fazem parte da minha história. Estou super honrado em dividir o palco com grandes artistas que tive oportunidade de trabalhar junto, como Fagner e Geraldo Azevedo. Enfim, é muito bom dividir o palco com Elba Ramalho e Chico César também. Acho que a galera vai voar nas asas da minha sanfona.

Agora RN – Quais são as novidades para esse ano?
Waldonys – Primeiro, o projeto dos meus 50 anos. Sempre faço meu show de aniversário em teatros de Fortaleza. Agora, estou fechando meio século de vida e vou comemorar no Teatro Riachuelo, em Natal, exatamente por conta do carinho do público. Espero todos vocês lá no dia 16 de setembro. Vai ser um show cheio de causos, cantos e poesias, tudo que eu vivi ao longo desse tempo. E segundo: meu filho [Luciano Moreno], que está se lançando na música, seguindo os meus passos.