Uma grande tragédia está em curso na região do Recife, em Pernambuco, devido às chuvas e deslizamentos que aconteceram nos últimos dias. Até o fim da manhã desta terça-feira 31, foram confirmadas 100 mortes e 6,1 mil pessoas seguem desabrigadas. Outras vítimas, que foram soterradas por barreiras que deslizaram, ainda estão sendo procuradas.
A situação acendeu um alerta em toda a região Nordeste. O Rio Grande do Norte recebe boas chuvas desde março, sem acontecimentos graves. O meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do estado (Emparn), Gilmar Bristot, afirma que apesar do cenário chuvoso, não há riscos de grandes eventos críticos, como os que vêm acontecendo em Pernambuco.

Em Natal, no entanto, há preocupação com as áreas de encostas, como Mãe Luiza, Jacó e Passo da Pátria, que representam um risco maior de deslizamentos para os moradores. Ângela Maria, de 49 anos, é dona de casa e mora em Mãe Luiza. Ela teme que um desastre possa acontecer na comunidade. “Tenho medo, mesmo que minha casa seja mais lá embaixo [da área de encosta]. Porque vai que essa casa se vá, aí desce e atinge as outras”.
Segundo ela, a Prefeitura do Natal foi ao local e interditou algumas casas que representavam maior perigo de desabamento. Moradores da comunidade do Jacó também revelaram a angústia de viver com preocupação por residirem próximos a barrancos.
Para a diretora do Departamento de Defesa Civil e Ações Preventivas de Natal, Fernanda Jucá, a capital potiguar não corre risco de tragédias na proporção daquela vista em Pernambuco. “O que aconteceu no Recife foi provocado pelo volume alto de chuvas. Cada vez mais as cidades estão sujeitas a sofrerem com eventos climáticos, sejam chuvas mais intensas ou secas severas. Então, quanto a sofrer eventos intensos, todas as cidades estão sujeitas”, disse, em entrevista ao Agora RN.
“Porém, Recife tem uma característica geográfica que favorece a ocorrência de deslizamentos, devido a cidade possuir muitas áreas de encostas. Natal possui menos áreas de morro e com menos exposição de encostas, então a tendência é que os riscos de deslizamento sejam menores, por serem em menor quantidade, porém não impossíveis”, continuou Fernanda Jucá.
Conforme informou ela, a Defesa Civil acompanha as três principais áreas de risco de deslizamentos: Jacó, Mãe Luiza e Passo da Pátria. “As ocorrências para essas regiões são sempre priorizadas devido aos riscos de impactos maiores. Além disso, Natal tem uma característica de cidade mais plana, o que favorece maiores alagamentos. Por essa razão, o departamento monitora com frequência os níveis de água e entornos das lagoas de captação, para que, na previsão de uma chuva iminente, possam ser identificadas ações mitigadoras emergenciais”.
Gabinete acompanha situação e planeja serviços
No último sábado 28, o gabinete municipal de gerenciamento crise, formado por equipes de diversas secretarias, se reuniu para discutir medidas de proteção à população e prevenção de danos à infraestrutura urbana, além de acompanhar as principais áreas de risco da cidade.
Até o momento, nenhum grande sinistro foi registrado pela Defesa Civil do Município, somente quedas de árvores, crateras e pequenos alagamentos. A Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Semtas) estabeleceu o Centro de Convivência para Pessoa Idosa Ivone Alves, no bairro de Lagoa Azul, na Zona Norte, como local para abrigar famílias que precisarem ser removidas de suas residências, caso seja necessário em algum momento. A Companhia de Serviços Urbanos (Urbana) vai intensificar os trabalhos de limpeza das galerias pluviais (bocas de lobo).
Os técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) também vão percorrer todas as regiões da capital para mapear e identificar os principais danos causados pelas chuvas. De posse desse levantamento, a pasta vai planejar um cronograma de serviços, classificando as demandas na escala de mais urgentes até as menos urgentes para realizar os reparos de maneira sistemática e organizada. Além disso, o trabalho de limpeza das 70 lagoas de captação espalhadas pelas quatro regiões administrativas de Natal terá continuidade.
GAE
O Grupo de Ação e Emergência (GAE) trabalha em regime de plantão 24 horas e está de prontidão para atender qualquer tipo de ocorrência que chegue por meio do Disque 190 e também foi disponibilizado o 156 da Prefeitura do Natal para a comunicação de situações de emergência. O GAE conta com cerca de 30 agentes que se revezam em seis equipes com cinco profissionais cada.