BUSCAR
BUSCAR
Cultura

Beiju de Mandioca Mole: tradição indígena é iguaria na Páscoa

Minidocumentário produzido pelo Centro Cultural Casa de Taipa mostra o modo de fazer artesanal do alimento
Eliade Pimentel
14/04/2022 | 09:34

A herança indígena é um dos maiores legados que o Brasil possui. Percebemos a forte presença da ancestralidade dos povos originais brasileiros em hábitos e costumes, no vocabulário e na gastronomia. No Nordeste, é muito forte a tradição de comidas como o cuscuz de milho e a tapioca e seus derivados, como o grude, o friviado e o beiju. Este último, mesmo consumido durante o ano todo, ganha uma importância a mais nesse período de Semana Santa na cidade de Baía Formosa, extremo Sul do Rio Grande do Norte.

Na praia do Sagi, que faz a divisa entre RN e Paraíba, existem duas comunidades autodeclaradas indígenas, Jacu e SagiTrabanda, onde é bastante comum a produção em escala artesanal do beiju, que depois é revendido porta a porta e na feira pública. Durante a pandemia, o Centro Cultural Casa de Taipa, sediado no vilarejo, participou de um edital de valorização da gastronomia regional, financiado pela Lei Emergencial Aldir Blanc e viabilizado pela Fundação José Augusto (ligada ao Governo do Estado), e produziu o mini documentário “Beiju de Mandioca Mole”, que relata o passo a passo do fabrico dessa iguaria.

Beiju de Mandioca Mole: tradição indígena é iguaria na Páscoa - Agora RN
Assado no fogão a lenha, o beiju é regado com leite de coco natural. Foto: João Maria Alves

Quem conta a história é a remanescente indígena Verônica Claudino,do Jacu, conhecida como Tia Vera. O filme, roteirizado, produzido e assinado por Rubens Araújo (idealizador e mantenedor do Centro Cultural) e Felipe Claudino (nativo da comunidade), tem 16 minutos de duração e narra o processo de produção do beiju desde a colheita da mandioca, passando pelo molho para amolecer a matéria-prima, que é o diferencial do beiju formosense, segundo conta a personagem principal, até a venda nas residências da comunidade. “Tem gente que rala a mandioca e faz na hora, mas aqui a gente coloca de molho, por isso é chamada massa de mandioca mole”, refere-se ao diferencial do beiju produzido à moda tradicional indígena.

Assado no fogão à lenha, o beiju de mandioca mole de Tia Vera é banhado no leite de coco, que também é descascado e ralado em modo artesanal. No dia a dia de Sagi, é comum a venda da iguaria para acompanhar o café, com direito a peixe frito ou assado, como disse, no documentário, a mãe de Verônica, com quem ela aprendeu a cozinhar as comidas de origem indígena. No município-sede de Baía Formosa e nos outros distritos, a maior saída do Beiju de Mandioca Mole é na Semana Santa. A explicação passa pela influência do Cristianismo nas tradições alimentares dos povos originais.

Assista ao documentário “Beiju de Mandioca Mole” no canal do Youtube do Centro Cultural Casa de Taipa.