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Ataque

Sesed confirma que furtos de fios elétricos crescem quase 400% no RN

Prática delituosa registrou um aumento de 397% em comparação com o ano de 2020
William Medeiros
01/12/2021 | 08:17

O furto de fios elétricos no Rio Grande do Norte está virando um dos crimes mais comuns nos últimos meses. Ao se tornarem vítimas dessa prática, donos de residências, comerciantes, empresários e instituições públicas ficam com um problema para executar suas atividades diárias. O risco está obrigando cidadãos a reforçarem a segurança no que, antes, nem se fazia questão. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do RN (Sesed), as ocorrências aumentaram de forma significativa de janeiro a outubro.

Segundo a Sesed, de janeiro a outubro deste ano foram 537 ocorrências registradas por furtos de cabos elétricos, que também incluem os fios de telecomunicação. Um aumento de 397% em comparação ao ano passado, em 2020, com 108 casos da prática delituosa. Os dados foram coletados pelo Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE), a metodologia utilizada para o estudo foi a de Análise de Data Warehouse do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Senasp) e delegacias de Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

Sesed confirma que furtos de fios elétricos crescem quase 400% no Rio Grande do Norte
Dados foram coletados pelo Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais da Sesed e revelam que esse tipo de crime virou rotina, causando prejuízos às vítimas. Foto: José Aldenir/Agora RN

 

Sesed confirma que furtos de fios elétricos crescem quase 400% no Rio Grande do Norte
Dados foram divulgados pela secretaria de segurança do RN. Foto: Reprodução/Sesed

Segundo o titular da 4ª Delegacia de Plantão de Natal, Júlio Lima, a justificativa para o aumento das ocorrências do ano passado para 2021 é devido ao número de prédios abandonados sem proteção. Conforme ele avaliou, as edificações são mais suscetíveis à invasão. O policial conta que os criminosos buscam fios de cobre e o material é levado até as sucatas, onde é vendido.

As ocorrências tiveram também um número elevado no mês de setembro. Foram 77 crimes cometidos, contra 11 no mesmo período do ano passado. Já abril apresentou baixa, com 37 casos, contra 40 em 2020. Neste sentido, Júlio conta que não há uma explicação exata sobre o aumento ou diminuição. “Atribuímos algumas situações à pandemia, os problemas econômicos que colocaram mais pessoas em situação de rua, mas não explica totalmente. O crime tem essas oscilações. Por exemplo, feminicídio tem meses que há muitos e há mês que não tem nenhum”, afirmou.

O gerente auxiliar de uma escola profissionalizante, Douglas Ferreira, foi vítima dessa prática. “Na verdade, tratou-se de roubo provavelmente realizado na madrugada. Ao chegarmos na escola fomos surpreendidos ao notar a caixa elétrica, que fica na parte externa do prédio, aberta”, disse. Ao abrir a instituição, nas primeiras horas do dia, estava sem energia e isso impediu a realização de atividades.

“Eles roubaram toda a fiação. Algo que se repete com constância nesta região. Já tivemos problemas com roubo dos fios telefônicos também. Em um mês roubaram três vezes, passamos semanas sem nossos clientes conseguirem falar conosco no número fixo”, afirmou o gerente. “O que nos obrigou a desistir de utilizar um número fixo. Cancelamos uma linha com mais de 15 anos e agora trabalhamos apenas com os números celulares”, contou.

O gerente se surpreendeu com a atuação dos criminosos. “Eles conseguiram cortar bem direitinho, tiraram exatamente o que queriam, limparam a caixa elétrica e de uma forma sem correr risco. Muitas vezes, nós que somos leigos, vamos mexer na fiação e corremos um sério risco de (levar) um choque, mas eles conseguiram cortar os fios no ponto exato”, disse.

Na época, ele conta que entrou em contato com a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) e foi orientado que se fizesse um Boletim de Ocorrência(B.O.). “Tivemos que comprar toda a parte que foi saqueada, temos que contratar um eletricista para montar a caixa toda novamente, para só aí, a Cosern vir e ligar os fios de eletricidade novamente. Nessa situação, ficamos vários dias sem ter aula por falta de energia. Um prejuízo material e financeiro tremendo”. Na época, foi gasto um valor de mais de R$ 3.000,00 para a reparação, fora a mão de obra e os dias sem trabalhar.

“A gente teve que colocar travas, cadeados e correntes em uma caixa de força para não ser roubado. É o cúmulo, né?!”, finaliza Douglas, que ainda relatou o sentimento de impotência e frustração, mesmo estando em uma área nobre da cidade.

Operação Sucata

Para enfrentar as ocorrências, a Polícia Civil tem realizado um maior patrulhamento e investigação nos inquéritos de acordo com o delegado Júlio Lima. Em setembro, foi desencadeada a operação “Sucata”, onde se apreendeu mais de R$ 150 mil em mercadorias. As diligências, que aconteceram nos municípios de Natal, Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Areia Branca, Assu, Alto do Rodrigues, Pendências, Macau e Guamaré, tiveram o objetivo de fiscalizar sucatas e oficinas. Em todo o RN, a operação não resultou em prisões em flagrante, mas, somou autuações administrativas, com aplicação de multas pela tributação do Estado no valor de mais de R$ 50 mil. Na ocasião, em um dos estabelecimentos, foi apreendido um material com suspeita de origem ilícita e encaminhado para a delegacia distrital.

Em nota, a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) contou sobre o apoio para combater esse tipo de crime. “A Neoenergia Cosern informa que é parceira da Secretaria de Segurança Pública na “Operação Sucata” e ressalta que emprega todos os esforços para reestabelecer o fornecimento de energia o mais rápido possível para os clientes que são afetados por furtos de cabos da rede elétrica. A distribuidora solicita que a população denuncie os furtos, de forma anônima e segura, no telefone 190 da Polícia Militar e no 116 da Neoenergia Cosern”.

O delegado Júlio Lima reforçou a importância das denúncias pelo número 190 e, em seguida, que se faça um Boletim de Ocorrência (B.O.). “É recomendável também, aos proprietários de edificações, que instalem sistemas de segurança”, finaliza.