DIVINA COMÉDIA HUMANA
Um analista amigo meu disse que “Se Arthur Lira vencer, Bolsonaro perderá o bode expiatório”. E venceu. A expressão “bode expiatório” remonta ao Dia do Perdão, quando o maior sacerdote de Jerusalém recebia dois caprinos. Depois de ouvir as confissões dos fiéis com a mão no bode, o religioso soltava o animal no deserto. Os pecados iam com ele. Pelo menos, era nisso que se acreditava.

ESTREAR E PASSEAR
A dica é simples na hora de conjugar o verbo “estrear”: baseie-se em “passear”. Eu passeio (estreio), tu passeias (estreias), ele passeia (estreia)…
AGÁ
A letra “h” é a única letra do alfabeto que, em nossas palavras nativas, não tem som. Som mesmo só em palavras vindas do estrangeiro. Algumas palavras rejeitam a letra, mas aceitam-na em suas derivadas. De “erva” derivam “herbicida”, “herbívoro” e “herbáceo”.
O QUE É QUE A BAHIA TEM…
…para ter o “h” no meio? Antigamente, para indicar o hiato – e pronunciar corretamente uma palavra – usava-se o “h”. o acento veio depois. Escrevia-se “sahida”, “bahia”, “pirahy”. Se não houvesse o “h”, a leitura seria “sáida”, “báia”, “pirái”.
MAS O PIAUÍ
Resolveu se modernizar e mudou a grafia de “Piahuy” para a versão atual. Os baianos (sem “h”, assim como todas as palavras derivadas) acharam que dava muito trabalho para alterar.
AS LETRAS DA MALANDRAGEM
Quando alguém desconfia da versão de outrem, diz “Isso é um agá”, “Olha que agá!”. Aos poucos, o “h” vem sendo trocado pelo “L” na gíria.