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Lucas Guimarães

Vinte minutos para ler

Artigo defende tempo diário para leitura por prazer e discute como escola e família podem tornar os livros mais presentes na rotina de crianças e jovens
Lucas Raduy Guimarães
27/10/2026 | 22:07

Entre 35 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com dados comparáveis, a média de leitura no PISA caiu 25 pontos entre 2018 e 2025. No Brasil, o desempenho permaneceu praticamente estável em relação a 2022. Mas estabilidade, nesse caso, está longe de ser motivo para conforto: em 2025, os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos, 53 abaixo da média dos países da OCDE.

Há, porém, uma pergunta mais simples e incômoda: quanto tempo real estamos reservando para que crianças e jovens leiam? E nós mesmos, adultos?

Lucas Guimarães, de óculos e camisa azul, posa sorrindo para a fotografia
Lucas Raduy Guimarães é presidente do Grupo Positivo — Foto: Divulgação

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Não tempo para estudar para uma prova, ler o livro obrigatório do bimestre ou produzir um resumo. Tempo para curtir uma boa história, descobrir um autor, escolher o que ler. Formar um leitor exige prática. E prática exige tempo.

Devemos discutir também a relação que a própria escola estabelece com os livros. Frequentemente, lê-se para responder, interpretar, resumir ou ser avaliado. Todas essas atividades têm importância pedagógica. Mas, se toda leitura termina necessariamente em uma tarefa, corremos o risco de apresentar o livro apenas como o caminho para uma obrigação.

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Nos colégios do Grupo Positivo, decidimos experimentar esse princípio de maneira bastante concreta: reservamos 20 minutos diários para leitura por prazer no Ensino Fundamental. O estudante pode escolher o que ler. Pode começar por quadrinhos e depois se interessar por um romance.

Não estamos partindo da premissa de que vinte minutos diários produzirão, isoladamente, melhora nos indicadores acadêmicos. Esse efeito precisa ser acompanhado e medido. A experiência parte de uma constatação mais simples: é inviável criar o hábito de fazer algo para o qual nunca reservamos tempo.

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E esse trabalho não pertence apenas à escola. Pais e mães não precisam transformar a casa em sala de aula. Podem fazer algo muito mais simples: tornar a leitura visível.

A disputa por esse tempo ficou mais difícil. O livro concorre com notificações, vídeos curtos, jogos, redes sociais e uma oferta permanente de novos estímulos. Ler exige o movimento contrário: permanecer.

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Grandes problemas educacionais raramente admitem soluções simples. Reservar vinte minutos para a leitura não resolverá a queda da proficiência leitora nem permitirá, sozinho, explicar futuros avanços. Não é essa a proposta.

Vinte minutos não parecem muito. Mas talvez seja esse o ponto: antes de exigir que uma criança ou jovem seja proficiente na leitura, precisamos garantir que tenha tempo para abrir e ler um livro que lhe agrade.

Lucas Raduy Guimarães é presidente do Grupo Positivo