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Eleições 2026

Lula vota no ABC Paulista e diz nunca ter visto mobilização igual à do segundo turno

Presidente afirmou nunca ter recebido tanto apoio em uma campanha eleitoral e chamou adversário de mentiroso antes de votar no segundo turno
Agora RN
25/10/2026 | 10:43

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votou na manhã deste domingo 25, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Candidato à reeleição, Lula chegou ao local de votação por volta das 9h40, acompanhado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de integrantes de seu grupo político. Antes de votar, o presidente afirmou que nunca havia recebido tanto apoio popular em uma campanha eleitoral e fez críticas ao adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

Também acompanharam o presidente os ex-ministros Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), além do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Lula vota no ABC Paulista e diz nunca ter visto mobilização igual à do segundo turno
Presidente Lula posa com a bandeira do Brasil ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin após votar em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Foto: TV Globo

Ao conversar com jornalistas e apoiadores na saída de sua residência, Lula comentou a mobilização de eleitores durante a campanha do segundo turno. Aos 80 anos, o presidente afirmou que, apesar de participar da política há cinco décadas, não havia presenciado manifestações de apoio semelhantes às registradas nas últimas semanas.

“Eu estou com 80 anos, participo da vida política há 50. Já participei da campanha de 89, participei de todas as campanhas presidenciais. Eu, sinceramente, nunca vi nada igual”, afirmou.

O presidente mencionou atos realizados na Bahia, em Pernambuco, no Maranhão, no Pará e em Minas Gerais. Também citou a manifestação de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, no sábado 24, último dia de campanha.

“Acho que a Avenida Paulista nunca recebeu a quantidade de gente participando de um ato público”, declarou.

Lula disse estar emocionado com a participação dos eleitores e agradeceu pelas manifestações de apoio recebidas durante a disputa presidencial.

“Eu vou votar agradecido ao povo brasileiro. O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tenho como pagar. É muita generosidade, é muito carinho, é muito amor. Eu serei eternamente grato”, afirmou.

Durante a conversa, o presidente também atacou o senador Flávio Bolsonaro, seu adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, acusando-o de mentir durante a campanha.

“Nós estamos disputando as eleições com um cidadão chamado mentira. Ele não é capaz de dizer uma verdade”, disse.

Na sequência, Lula afirmou acreditar que os eleitores levarão em consideração as declarações dos candidatos antes de decidir o voto.

“Por isso que eu acho que o povo não vai eleger um mentiroso”, concluiu.

Pesquisas apontam empate técnico no segundo turno

Lula e Flávio Bolsonaro chegaram ao segundo turno após uma disputa apertada na primeira etapa das eleições, realizada em 4 de outubro. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto percentual.

O resultado representou a menor distância entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.

As pesquisas Quaest e Datafolha divulgadas no sábado 24 apontaram empate técnico entre os candidatos. Nos dois levantamentos, Flávio Bolsonaro apareceu com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. A diferença ficou dentro das margens de erro das pesquisas.

A votação deste domingo começou às 8h e segue até as 17h, pelo horário de Brasília. Após o encerramento, a Justiça Eleitoral dará continuidade à totalização dos votos para definir o resultado da eleição presidencial.

Campanha passou por mudanças após primeiro turno

Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula promoveu alterações na coordenação política e na comunicação de sua campanha. O presidente chegou a afirmar que havia participado de sua campanha eleitoral mais desorganizada.

Entre as mudanças, três políticos nordestinos passaram a integrar a coordenação nacional: o senador Camilo Santana (PT-CE), o senador eleito Rui Costa (PT-BA) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI).

A campanha também ampliou a atuação nas redes sociais. Lula passou a gravar vídeos em formato de selfie e a enviar mensagens de voz para apoiadores em aplicativos de mensagens, apesar de já ter declarado que não gosta de utilizar celular.

O presidente também se reuniu com influenciadores digitais e parlamentares recém-eleitos, entre eles a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), para ampliar a comunicação com os eleitores.

Outra iniciativa foi a atuação do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O grupo, que reúne mais de 10 milhões de seguidores, foi utilizado para distribuir conteúdos e organizar mobilizações digitais durante a campanha.

No campo econômico, o governo anunciou medidas que passaram a integrar o discurso eleitoral do presidente, entre elas a redução de impostos sobre a gasolina, um pacote de perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias de microempreendedores individuais (MEIs) e a promessa de ampliação do programa Pé-de-Meia para estudantes universitários.

Lula também passou a defender a aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, aprovada pelo Senado, com a previsão de dois dias de descanso semanal sem redução salarial.

Lula tenta conquistar quarto mandato presidencial

Aos 80 anos, Lula disputa a possibilidade de exercer um quarto mandato como presidente da República. O petista já venceu as eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2022, sendo o único presidente eleito três vezes pelo voto popular desde a redemocratização.

Natural de Pernambuco, Lula migrou ainda criança para São Paulo, onde iniciou sua trajetória profissional e política. Foi dirigente sindical no ABC Paulista e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores.

Caso seja reeleito, completará 16 anos no comando do Executivo federal ao fim do próximo mandato. O período ficará atrás apenas do tempo em que Getúlio Vargas governou o Brasil, por pouco mais de 18 anos, embora Vargas tenha sido eleito presidente pelo voto direto apenas uma vez.