Presente na manifestação que antecedeu a confusão, a vereadora de Natal e deputada estadual eleita Camila Araújo (PL) afirmou que o conflito teve início após estudantes ligados à esquerda tentarem impedir a manifestação bolsonarista na UFRN. Ela afirmou que o ato foi organizado para defender candidaturas de direita e criticou o que considera falta de respeito à diversidade política no ambiente acadêmico. “A UFRN não pertence à esquerda. Não é um puxadinho de um partido político”, declarou.
Camila disse que a iniciativa foi divulgada com cinco dias de antecedência e que os estudantes pretendiam expressar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e a Allyson Bezerra (União), candidato ao Governo do Rio Grande do Norte. Segundo ela, a organização foi motivada pela realização frequente de atividades em defesa de Lula (PT) e de Cadu de Lula (PT) dentro da universidade.

A parlamentar afirmou que essas manifestações de estudantes e professores são legítimas, mas argumentou que o mesmo direito precisa ser assegurado aos demais grupos. “A universidade não pode servir apenas para um espectro, ela é para todos”, disse. “Por que eles podem e nós não podemos? Então, vamos fazer um ato pacífico também em defesa dos nossos candidatos. A universidade é pública, é para todos.”
Ao descrever o início da mobilização, Camila afirmou que os participantes encontraram estudantes com material de campanha petista, cartazes e faixas. Na avaliação dela, o grupo já estava mobilizado para a chegada dos manifestantes de direita. “O ato começou de forma pacífica, até surgirem estudantes militantes”, declarou. A vereadora acrescentou que participou da atividade e fez uma fala “justamente em defesa da pluralidade” da instituição.
Camila também relatou ter recebido uma denúncia de uma estudante de Pedagogia que, segundo ela, teria sido pressionada a participar de uma aula pública sob o risco de perder pontos. Conforme a versão apresentada pela parlamentar, a estudante encontrou no local uma atividade com críticas aos candidatos de direita e manifestações favoráveis aos petistas.
A vereadora usou o relato para sustentar que os estudantes de direita também deveriam ter espaço para se posicionar. Em seguida, acusou militantes de esquerda de não respeitar opiniões divergentes. “Só é democracia se você defender o mesmo candidato que eles, o mesmo espectro deles. Eles não conseguem respeitar a divergência, a diferença das opiniões”, afirmou.
Na versão de Camila, participantes da manifestação foram chamados de fascistas e pressionados a deixar o local. “Não é possível que dentro da Universidade Federal estudantes que pensem diferente sejam chamados de fascistas e sejam expulsos de lá, porque foi isso que aconteceu”, declarou. Ela classificou a situação como “algo sério que precisa de uma grande reflexão” e disse que o ambiente universitário não pode ser associado a uma única corrente política.
Ao tratar das agressões, Camila condenou o uso da força e mencionou o episódio em que o boneco inflável Pixuleco foi perfurado. “Política não se faz com empurrão, com soco, com violência”, disse. Segundo ela, um estudante utilizou uma faca para furar o boneco. A vereadora afirmou que o responsável já havia sido identificado e que o caso fora encaminhado para apuração.
“Não coaduno com esse tipo de política, não é assim que se faz política, não é dessa forma que se exerce a democracia”, declarou.