Moradores do distrito de Mangabeira, em Macaíba, na Região Metropolitana de Natal, denunciaram supostas agressões e ameaças praticadas por policiais militares durante abordagens na comunidade. As acusações ganharam força após a morte do adolescente Pedro Henrique da Silva Araújo, de 15 anos, na quarta-feira 14. Familiares e moradores cobram esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte. A Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN) afirma que prestou socorro ao jovem e anunciou a abertura de um procedimento administrativo para investigar o caso.
A comunidade realizou uma manifestação nesta quinta-feira 15 na BR-226 para pedir justiça pela morte do adolescente. O protesto teve a presença da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Depois, moradores se reuniram na Rua Agenor Xavier, onde acontecia o velório do jovem. Durante a mobilização, participantes relataram episódios de violência que, segundo eles, teriam ocorrido em abordagens policiais nos últimos dias.

Uma moradora, que preferiu não se identificar, afirmou que outro adolescente, de 13 anos, teria sido agredido por policiais na segunda-feira. Segundo ela, o menino teria sido colocado dentro de um estabelecimento com um saco na cabeça e só teria escapado de consequências mais graves porque o pai chegou ao local. A mulher também relatou ameaças contra outros jovens da região.
Os moradores afirmam que não são contrários às abordagens policiais, mas questionam a forma como algumas delas estariam sendo realizadas. Outra mulher disse ter presenciado situações em que policiais teriam agredido pessoas durante revistas. “Eu já presenciei alguns casos de policial que vem dar baculejo, e no entanto, em vez de dar baculejo, eles espancam. Não é só baculejo, eles espancam”, declarou.
Durante a manifestação, moradores também denunciaram o uso de spray de pimenta contra adultos e crianças. Uma mulher relatou que sua filha foi atingida enquanto estava com a família durante o protesto. Segundo ela, os policiais teriam utilizado o produto sem conversar com as pessoas que estavam no local. Outra mãe afirmou que também foi atingida e que seu filho quase recebeu o spray diretamente no rosto.
Os relatos provocaram indignação entre os moradores, que pedem investigação das denúncias e mudanças na forma de atuação policial na comunidade. Durante a reunião, participantes fizeram homenagens a Pedro Henrique e repetiram pedidos de justiça. As acusações apresentadas pelos moradores ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.
Em nota, a Polícia Militar apresentou uma versão diferente sobre o atendimento prestado a Pedro Henrique. Segundo a corporação, o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) recebeu uma ligação pelo número 190, à 1h06 da madrugada de quarta-feira 14, informando que havia uma pessoa desorientada em uma área de mata às margens da BR-226.
Uma equipe do 11º Batalhão da Polícia Militar foi enviada ao local e encontrou o adolescente, segundo a nota, em estado de agitação e com alterações de comportamento. A PM afirma que os policiais prestaram socorro e levaram o jovem à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Macaíba, acompanhado da mãe.
Ainda conforme a corporação, Pedro Henrique deu entrada na unidade de saúde às 2h. A PM informou que, de acordo com os dados repassados pela UPA, o adolescente apresentou melhora durante o atendimento e recebeu alta médica às 6h11, sendo liberado para retornar aos cuidados da família.
A Polícia Militar acrescentou que, segundo informações da unidade hospitalar, o adolescente voltou à UPA às 22h13 do mesmo dia, acompanhado de familiares, já sem vida. O intervalo entre a alta médica e o retorno à unidade foi de aproximadamente 16 horas.
Diante da morte, o comandante-geral da Polícia Militar determinou a abertura de um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias do caso. A corporação afirmou que mantém o compromisso com a transparência e com a colaboração com os órgãos responsáveis pela investigação.
A nota da PM não apresenta informações sobre a causa da morte do adolescente nem esclarece as denúncias de agressões e ameaças feitas pelos moradores de Mangabeira. Também não foram informados resultados de exames periciais que permitam determinar as circunstâncias da morte de Pedro Henrique.