A produção industrial do Rio Grande do Norte voltou a crescer em agosto de 2026, após dez meses consecutivos de resultados negativos na comparação anual. O avanço foi de 0,1% em relação ao mesmo mês de 2025, colocando o Estado na sexta posição entre os 17 estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O RN foi o único do Nordeste a registrar variação positiva no período, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional, divulgados nesta quinta-feira 8.
Apesar da recuperação, o desempenho não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas ao longo do ano. Entre janeiro e agosto, a indústria potiguar registrou retração de 10,7%, o pior resultado entre os locais pesquisados. O contraste entre a leve alta mensal e a queda acumulada indica que a atividade industrial permanece abaixo dos níveis observados em 2025, com diferenças entre os segmentos produtivos.

A retomada em agosto foi sustentada principalmente pela confecção de artigos do vestuário e acessórios, cuja produção aumentou 33% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A indústria extrativa também apresentou resultado positivo, com crescimento de 2,3%. Os dois segmentos compensaram as perdas registradas na fabricação de produtos alimentícios, que recuou 12,1%, e na produção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com queda de 5%.
O resultado potiguar ocorreu em um cenário de retração da indústria brasileira. Em agosto, a produção nacional caiu 1,2% na comparação com o mesmo período de 2025, com redução em 12 dos 18 locais acompanhados pelo levantamento, incluindo a Região Nordeste como um conjunto. O mês teve 21 dias úteis, o mesmo número registrado em agosto do ano anterior, o que afasta diferenças de calendário como explicação para o desempenho anual.
A pesquisa do IBGE acompanha mensalmente a evolução da produção física das indústrias extrativas e de transformação. Os indicadores permitem avaliar a atividade industrial por região e por setor, oferecendo informações sobre o comportamento da economia no curto prazo. No Rio Grande do Norte, os números mostram que a recuperação de agosto ainda depende da continuidade do crescimento nos meses seguintes para reduzir as perdas acumuladas.
Petróleo e alimentos pressionam resultado
A fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis foi a principal responsável pela retração da indústria potiguar nos oito primeiros meses de 2026. O segmento acumulou queda de 21,6% em relação ao mesmo período de 2025, resultado que contribuiu para manter o desempenho estadual entre os mais baixos do País.
A fabricação de produtos alimentícios também apresentou redução, de 6,6%, enquanto as indústrias extrativas recuaram 1,4%. Esses resultados mostram que a melhora registrada em agosto ainda não se espalhou pelos principais segmentos industriais do Rio Grande do Norte.
A exceção foi a confecção de artigos do vestuário e acessórios, que acumulou crescimento de 41,5% entre janeiro e agosto. O setor foi o único entre as atividades pesquisadas no Estado a apresentar expansão no período, mantendo desempenho positivo mesmo diante da retração da indústria geral.
O contraste entre as atividades também aparece na comparação de agosto com o mesmo mês do ano anterior. Enquanto o vestuário avançou 33%, a fabricação de alimentos caiu 12,1%. Já a indústria extrativa cresceu 2,3%, revertendo temporariamente a trajetória negativa observada no acumulado do ano.
A diferença entre os resultados reforça a importância de observar a composição da produção industrial. Como os setores possuem pesos distintos no cálculo do indicador, o crescimento expressivo de uma atividade não significa necessariamente recuperação equivalente do conjunto da indústria.
No período de 12 meses, indústria potiguar recua 8,1%
O desempenho negativo também aparece no indicador acumulado em 12 meses, que compara a produção de setembro de 2025 a agosto de 2026 com a dos 12 meses anteriores. Nesse intervalo, a indústria geral do Rio Grande do Norte apresentou retração de 8,1%, indicando que as perdas não ficaram restritas aos primeiros meses deste ano.
A fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis registrou a maior queda, de 19,6%. A produção de alimentos também recuou, com variação negativa de 3,6%. Os dois segmentos contribuíram para manter o indicador estadual abaixo do resultado observado no período anterior.
Em contrapartida, a confecção de artigos do vestuário e acessórios acumulou crescimento de 55,1% em 12 meses, enquanto a indústria extrativa avançou 0,8%. O desempenho do vestuário confirma uma trajetória de expansão, embora insuficiente para compensar integralmente as perdas dos demais segmentos.
A PIM-PF Regional acompanha a produção industrial em 17 unidades da Federação e na Região Nordeste, permitindo comparar a evolução das atividades em diferentes áreas do País. O levantamento considera estabelecimentos industriais e utiliza indicadores de volume produzido, sem medir diretamente faturamento ou geração de empregos.
Para o Rio Grande do Norte, os resultados de agosto representam uma interrupção da sequência de quedas na comparação anual, mas ainda não configuram uma recuperação sustentada. A evolução nos próximos meses dependerá do comportamento dos segmentos que concentram as maiores perdas, especialmente petróleo, biocombustíveis e alimentos.
A continuidade do crescimento no vestuário poderá contribuir para melhorar os indicadores estaduais, mas a reversão da retração acumulada exigirá resultados positivos em uma parcela maior da atividade industrial.
