BUSCAR
BUSCAR
Polícia

MP abre cinco investigações sobre mortes em ações da PM no Litoral Norte do RN

Os casos ocorreram entre maio e junho em Pedra Grande, São Miguel do Gostoso, Touros e Rio do Fogo, e o MPRN quer periciar as armas das guarnições
Agora RN
06/10/2026 | 16:24

Cinco mortes em ações policiais no Litoral Norte do Rio Grande do Norte passam a ser investigadas pelo Ministério Público estadual. Em todos esses casos, homens foram atingidos por disparos de policiais militares que estavam em serviço. O MPRN abriu cinco procedimentos para apurar as circunstâncias de cada uma delas, todas registradas entre maio e junho de 2026. As portarias que abrem os procedimentos saíram no Diário Oficial do órgão nesta terça-feira 6.

As apurações tratam, cada uma delas, de um caso. As vítimas são Gustavo da Silva Matos, Venicio Vito Mateus Marcelino Barbosa, Jaelson Pereira da Costa, Carlos Wagner de Sena Macedo e Juliano dos Santos Silva. Os episódios aconteceram em quatro municípios da região: Rio do Fogo, Touros, São Miguel do Gostoso e Pedra Grande.

Policiais militares em viatura durante operação no Rio Grande do Norte
Os procedimentos do MPRN apuram cinco casos registrados entre maio e junho em quatro municípios do Litoral Norte - Foto: José Aldenir/O Correio de Hoje

Para esclarecer o que houve em cada episódio, o Ministério Público determinou uma série de providências. Pediu laudos ao Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) e também exames que comparem os projéteis e os estojos recolhidos em cada ocorrência com as armas que foram usadas. Determinou também que sejam identificados os policiais que participaram de cada uma das ações. Ao Comando da Polícia Militar, solicitou as escalas de serviço daqueles dias e também os relatórios das ocorrências. Em parte dos casos, requisitou ainda o que já existe de investigação na Polícia Civil, além de tomar depoimento de testemunha.

Duas dessas mortes aconteceram no mesmo dia, 26 de junho, e estão ligadas a uma única ocorrência, em Pititinga, distrito de Rio do Fogo. Gustavo e Venicio morreram no Hospital Municipal de Rio do Fogo, naquele mesmo dia, por volta das 19h06, depois de serem atingidos por disparos de policiais militares em serviço, conforme registram as portarias do Ministério Público.

Na apuração sobre a morte de Gustavo, o Ministério Público pediu ao Itep o laudo do exame feito no corpo, mais uma perícia que compare o material recolhido com o armamento ligado à ocorrência. São cinco armas nessa lista: um revólver com a numeração raspada, uma submetralhadora Famai MT40, uma pistola Taurus calibre .380 e dois fuzis Imbel. Ao Comando da Polícia Militar cabe informar quem formava a equipe e entregar os documentos sobre a atuação da guarnição.

No dia 25 de junho, por volta das 23h20, foi a vez de Jaelson Pereira da Costa morrer, no Hospital Municipal Ministro Paulo de Almeida Machado, em Touros. Pelo documento, ele também havia sido atingido por tiros de policiais militares em serviço. Nesse caso o Ministério Público pediu perícia em quatro armas: duas pistolas Glock G22 e dois fuzis calibre 5.56. A corporação terá de identificar quem compunha aquela guarnição, apresentar a escala de serviço e entregar o relatório da ocorrência. E a 10ª Delegacia Regional de João Câmara deverá compartilhar os documentos da investigação policial que já corre. Três testemunhas serão ouvidas, e a família de Jaelson tem de ser comunicada da abertura do procedimento.

A ocorrência mais antiga sob apuração é de 29 de maio, em Pedra Grande. Ali morreu Juliano dos Santos Silva, por volta das 16h50, na unidade mista de saúde do município, a Luiz Soares Belchior. Também nesse caso a portaria aponta disparos de policiais militares em serviço.

A quinta investigação trata da morte de Carlos Wagner de Sena Macedo, ocorrida em São Miguel do Gostoso no dia 6 de junho, por volta das 21h daquela noite. Ali o documento registra, outra vez, que a morte se deu depois de tiros de policiais militares que estavam em serviço.