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Estados Unidos

Trump nega ter perguntado a Xi se a China queria comprar armas americanas

A fala contradiz o embaixador David Perdue, e o Departamento de Estado lembra que a lei dos EUA proíbe esse tipo de venda a Pequim
Agora RN
01/10/2026 | 09:40

Não houve oferta de armas à China, disse na terça-feira 29 o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele negou ter perguntado ao líder chinês, Xi Jinping, se Pequim teria interesse em comprar armamento americano. A declaração bate de frente com o que contou o embaixador americano na China, David Perdue, segundo quem o presidente levantou essa possibilidade numa conversa com o líder chinês. O Departamento de Estado foi na linha de Trump e afirmou que a legislação do país proíbe venda desse tipo, não havendo oferta nem plano em curso.

“Nunca ouvi falar disso”, respondeu Trump quando os jornalistas perguntaram a respeito do relato do embaixador. Em seguida, acrescentou que precisaria falar com Perdue a respeito do episódio, e levantou a hipótese de o diplomata estar se referindo a Taiwan, e não à China. Disse ainda que a China “provavelmente” gostaria de comprar equipamento americano, mas repetiu que o assunto não entrou na conversa com Xi.

Donald Trump e Xi Jinping, ambos de terno escuro, em pé e apertando as mãos diante das câmeras
Trump e Xi Jinping durante a visita de Estado do líder chinês a Washington, na semana passada — Reprodução/YouTube

A versão do embaixador apareceu em entrevista ao programa “Fox News Sunday”, exibida no domingo 27. Falando sobre o que os americanos vendem a Taiwan, Perdue afirmou que Trump costuma lembrar que Washington fornece equipamento militar a muitos países. E contou que, em determinado momento, o presidente teria perguntado a Xi se ele queria comprar armamento americano. O diplomata não disse quando isso teria acontecido, nem revelou o que o líder chinês respondeu.

O episódio todo chamou atenção por envolver as duas maiores potências militares e econômicas do planeta, que disputam terreno em comércio, em tecnologia e na segurança do Indo-Pacífico. Taiwan é outro ponto de divergência entre elas: a ilha se autogoverna, Pequim a reivindica como parte do próprio território, e Washington lhe fornece armamento de caráter defensivo.

O Departamento de Estado, por sua vez, descartou qualquer negociação em curso. “A legislação dos EUA proíbe a venda de armas à China, e não há oferta nem plano de vender armas à China”, informou a pasta. A venda de equipamento militar americano ao governo chinês está interrompida há mais de três décadas, desde a repressão aos protestos da Praça da Paz Celestial, em 1989.

A fala do embaixador saiu justamente enquanto Washington e Taipei discutem novas vendas de armamento para a ilha. O governo taiwanês afirmou na terça-feira 29 que segue conversando com os americanos e que não recebeu nenhum sinal de mudança na política de Washington depois do encontro de Trump com Xi. Quem falou pela ilha foi o ministro da Defesa, Wellington Koo, para quem os canais entre os dois governos continuam abertos.

Os Estados Unidos são o maior fornecedor estrangeiro de armas da ilha. Isso vem de uma lei de 1979, a Lei de Relações com Taiwan, que manda Washington disponibilizar a Taipei os meios de manter capacidade de autodefesa — mesmo sem relação diplomática formal entre os dois governos.

O assunto apareceu na semana passada, durante a visita de Estado que Xi fez a Washington. Foram três dias de reuniões, encerrados sem anúncio público de avanço maior sobre Taiwan. Pequim continua contra as vendas americanas de armamento à ilha, e repetiu essa posição nas conversas.

Pela imprensa americana, um novo pacote de armas destinado a Taiwan está demorando a andar dentro da administração Trump. Parlamentares republicanos e democratas pressionam o Executivo a dar continuidade aos fornecimentos. E autoridades taiwanesas, do seu lado, cobram a entrega de equipamento que já foi comprado, entre ele os caças F-16V.

A divergência pública entre o presidente e seu embaixador acrescentou mais um ponto de atrito na relação entre as duas capitais, poucos dias depois da passagem de Xi pelos Estados Unidos. E, apesar do que disse Perdue, a posição oficial que o Departamento de Estado apresenta continua a mesma: não se pretende vender armas à China.