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Política

Troca de acusações marca último debate entre candidatos ao Governo do Estado

Operação Mederi, críticas às gestões e alinhamento presidencial concentram confrontos entre Allyson, Álvaro, Cadu e Robério na InterTV, antes da votação de domingo 4
Agora RN
01/10/2026 | 01:09

Uma troca de acusações sobre corrupção, desempenho administrativo e alianças políticas marcou o último debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte antes do primeiro turno, realizado pela InterTV Cabugi na última terça-feira 29. Allyson Bezerra (União), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL) intercalaram propostas com ataques pessoais e cobranças sobre as gestões de Mossoró, Natal e do Estado, a cinco dias da votação de domingo 4.

A Operação Mederi, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos de medicamentos, foi um dos assuntos mais recorrentes. Cadu abriu o confronto questionando Allyson e contrapondo sua trajetória como secretário estadual às investigações envolvendo à administração do ex-prefeito. “Para mim, honestidade é a base de tudo”, afirmou. Na réplica, cobrou: “Onde é que está o dinheiro da Operação Mederi? Onde foi parar esse dinheiro?”

Álvaro Dias, Allyson Bezerra, Cadu de Lula e Robério Paulino nos púlpitos do debate da InterTV
Álvaro Dias, Allyson Bezerra, Cadu de Lula e Professor Robério Paulino no debate — Foto: José Aldenir

Allyson negou irregularidades, disse que prestava esclarecimentos havia oito meses e reagiu com acusações envolvendo familiares de Larissa Rosado (PSB), candidata a vice de Cadu, citando o escândalo da Máfia dos Sanguessugas, servidores fantasmas e irregularidades envolvendo a maternidade Almeida Castro. “Não devo e não temo”, declarou. Cadu respondeu que o adversário estava explorando um processo antigo relacionado ao pai de sua vice.

O tema voltou durante uma discussão sobre segurança, quando Cadu afirmou: “Desmantelo é Polícia Federal na porta da casa do prefeito.” Allyson recebeu direito de resposta e acusou o petista de divulgar material manipulado. “A campanha que ele faz é a campanha do ódio, é a campanha da raiva, é a campanha do ataque”, disse. Cadu sustentou que as gravações correspondiam ao conteúdo da investigação.

Álvaro também cobrou explicações de Allyson sobre uma gravação da PF na qual empresários discutem o pagamento de propina a gestores públicos e atacou a gestão de Mossoró, citando buracos, falta de medicamentos e queda de teto de escola. Allyson contestou, afirmando que a unidade mencionada era estadual. Álvaro alegou ter obtido 20 direitos de resposta contra o adversário na propaganda eleitoral. “Quem diz isso não sou eu não. Quem diz isso é a Justiça”, afirmou.

Robério se somou às cobranças sobre a Mederi e questionou a imagem de renovação de Allyson, mencionando aliados tradicionais. “É um político velho abraçado com o que tem de mais velho na política do Rio Grande do Norte”, declarou. O ex-prefeito reagiu, acusou os concorrentes de promover ataques e mencionou a Operação Rebotalho, que investiga irregularidades na compra de respiradores pela Prefeitura do Natal, em crítica a Álvaro. Também defendeu que sua gestão fosse avaliada pelos resultados.

A disputa presidencial atravessou os confrontos. Cadu reforçou sua identificação com o presidente Lula (PT), enquanto Álvaro reafirmou apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). Robério criticou os dois candidatos de direita e cobrou uma escolha de Allyson, que respondeu que trabalharia com o presidente eleito. “Eu não governo fazendo o governo da divisão”, afirmou. Depois, desafiou os adversários a reconhecerem o resultado das urnas e anunciou que, se eleito em primeiro turno, começaria a organizar a gestão com o vice Hermano Morais (MDB) na segunda-feira 5.

Na saúde, Álvaro criticou a superlotação do Hospital Walfredo Gurgel e prometeu ampliar a unidade. Cadu apresentou a construção do Hospital Metropolitano, em Parnamirim com 350 leitos, como alternativa para desafogar a unidade. Os dois divergiram sobre o estágio do empreendimento: o petista disse que a obra estava em andamento, enquanto Álvaro afirmou que o projeto permanecia no papel. Cadu também criticou a demora para funcionamento do Hospital Municipal de Natal, defendido pelo ex-prefeito como referência de estrutura.

A engorda de Ponta Negra provocou outro embate. Cadu apontou problemas de drenagem e prometeu corrigir a intervenção em parceria com Lula. “Essa obra é revolucionária”, respondeu Álvaro, defendendo seus efeitos sobre o turismo. O petista anunciou ainda uma terceira ponte em Natal, enquanto Allyson questionou a presença dessas propostas no plano de governo do concorrente.

Segurança e salários também geraram tensão. Álvaro defendeu classificar facções como organizações terroristas; Cadu rejeitou a medida como solução, e Robério afirmou: “Combinar segurança com a questão social é a saída.”

Allyson cobrou explicações sobre presos com acesso a chaves em Alcaçuz, pagamentos de aposentados e bloqueio de consignados contratados por servidores. Cadu contrapôs os atrasos do governo Robinson Faria, aliado do adversário. Apesar dos ataques, houve propostas de ensino integral, qualificação, bolsas estudantis e ampliação dos hospitais regionais.

Este foi o sétimo e último debate entre os candidatos ao Governo do Estado antes do primeiro turno. A sequência começou na Band RN, em 9 de agosto, e passou pelo Grupo Dial Natal, em 2 de setembro; pela TCM, em Mossoró, no dia 3; e pelo Sistema Tribuna, no dia 15. A TV Ponta Negra reuniu os quatro no dia 18, após uma briga entre militantes do PT e do PL diante da emissora. Na TV Tropical, em 21 de setembro, Álvaro faltou e seu púlpito permaneceu vazio.