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Fala de Lula sobre exames dá munição à oposição

Declaração sobre exames preventivos foi explorada por aliados de Flávio Bolsonaro e levou o PT a acusar adversários de deturpar o discurso
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29/09/2026 | 23:57

Uma nova fala de Lula deu munição à oposição na disputa pela Presidência. Em comício em Belém, ao celebrar a realização da primeira cirurgia robótica de próstata no Pará e na Região Norte, segundo seu relato, o presidente tentou comparar a resistência masculina a exames com a disposição das mulheres para procedimentos ginecológicos.

A formulação escolhida, porém, abriu espaço para uma controvérsia que deslocou a atenção do anúncio de saúde para suas palavras: “As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito”.

Presidente Lula durante discurso
A fala de Lula que deu munição à oposição | Foto: Divulgação

A declaração foi explorada por aliados de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula, que insinuaram uma referência a abusos sexuais. “Menina pequena não aprende a tomar toque nenhum, Lula”, escreveu o deputado Nikolas Ferreira. Júlia Zanatta, Rosangela Moro e Gustavo Gayer também repercutiram o episódio.

As expressões “Protejam nossas crianças” e “Lula não toque nas crianças” chegaram aos Assuntos do Momento do X, ampliando o alcance de uma interpretação que associa a fala a um tema diferente daquele abordado no discurso.

O PT reagiu afirmando que Lula “obviamente se referiu a exames ginecológicos preventivos que, culturalmente, fazem parte da rotina da saúde da mulher, desde jovem”. A nota sustentou que os homens resistem a exames urológicos pela predominância de uma cultura machista e denunciou “uma tentativa de deturpar a declaração do presidente”.

Durante um ato em Salvador ontem, Lula chamou Janja ao microfone para “fazer um reparo” e disse que, na fala do dia anterior, pretendia comparar a resistência dos homens ao exame de próstata com a coragem das mulheres para realizar exames. Ao atacar Nikolas Ferreira, afirmou que “um canalha chamado Nikolas, nas redes digitais, ousou inventar uma coisa a meu respeito”. A primeira-dama elevou o tom, chamou o deputado de “piá de bosta” e declarou que ele “tem que lavar a boca pra falar desse homem”.

BLOCÃO 22

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) discute a possibilidade de o candidato à Presidência não participar do debate da TV Globo, marcado para quinta-feira 1º, e comparecer, no mesmo dia, ao “Blocão 22”, mobilização organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em Belo Horizonte. A possibilidade ganha força diante da possibilidade de Lula (PT) também não ir ao programa, o que deixaria Flávio na mira principal dos adversários.

RENÚNCIA

Faltando menos de uma semana para a eleição, o ativista Ivan Baron retirou sua candidatura a deputado estadual pelo PT. Ele já vinha reclamando da falta de recursos do fundo eleitoral para fazer campanha. “Ser pessoa com deficiência e disputar um cargo eletivo não é apenas colocar o nome à disposição. Não vou mentir, eu tentei. Mas os bastidores dessa história é muito mais difícil”, afirmou.

NORDESTE

O deputado estadual José Dias (PL) afirmou nesta terça-feira 29, na Assembleia Legislativa, que “o nordestino é pobre porque vota errado”. Às vésperas da eleição, o parlamentar bolsonarista contestou a ideia de que a pobreza explicaria as escolhas eleitorais da região e inverteu o argumento: “Nós temos que votar certo para podermos encaminhar a nossa região e o País no seu destino de desenvolvimento”. A declaração mira o comportamento eleitoral do Nordeste, onde Lula obteve quase 70% dos votos válidos em 2022 e abriu uma vantagem de 12,5 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro, decisiva para a vitória nacional.

DEBATE

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, atendeu ao pedido feito pelo partido Novo, retificou um entendimento da própria corte e permitiu que os candidatos do partido participem de debates eleitorais. A decisão deve obrigar a Globo a convidar Romeu Zema para seu debate programado para quinta-feira 1º. O partido alegou que conta com cinco deputados federais em exercício e, portanto, poderia participar dos debates. No entanto, o entendimento que vinha sendo adotado pelo TSE era o de que os partidos deveriam ter elegido cinco deputados no último pleito.