O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comparou, nesta segunda-feira 28, a disseminação da notícia falsa de que pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil à facada sofrida por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), na campanha de 2018. A declaração foi dada ao podcast católico SantoFlow.
Na entrevista, o senador classificou a informação como “mentirada” e disse que nunca participou de movimento ou apresentou projeto com esse objetivo. Segundo ele, tomou conhecimento da repercussão quando estava em Minas Gerais.

“Eu tenho convicção de que tentaram matar meu pai porque viram que ele já era presidente do Brasil em 2018. Por isso foram para tentar eliminá-lo. Foi aquela facada em Juiz de Fora. Eu posso considerar também uma espécie de facada essa fake news em mim”, afirmou.
Flávio disse enfrentar uma guerra espiritual, responsabilizou o PT pela situação e declarou que houve uma tentativa de colocar católicos e evangélicos em oposição. Ao abordar a relação entre Estado e religião, afirmou que pretende “colocar o Brasil no caminho da prosperidade respeitando a fé de todo mundo” e que o Estado não deve interferir na religião de ninguém.
O candidato levou uma imagem de Nossa Senhora ao estúdio e disse que pretende guardá-la “com o maior carinho”. Ele também citou a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), mencionada pelo apresentador. Católica e autora da lei que instituiu o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria, celebrado em 7 de outubro, ela terá, segundo Flávio, “um papel importante do nosso lado” em um eventual governo.
O senador ainda defendeu isenção tributária para igrejas. Para ele, o trabalho social desenvolvido pelas instituições religiosas é “impagável” e a fé pode contribuir para a recuperação de pessoas presas. “Grande parte das vezes é a igreja que tira a pessoa daquela situação que ela está”, declarou.
Flávio se emocionou ao lembrar a conversão ao evangelismo, em 2022. Ele afirmou que foi batizado ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e que a vida mudou para melhor desde então.
A informação falsa sobre a retirada do título de Padroeira do Brasil ganhou circulação nas redes sociais. A campanha do candidato acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) contra as publicações. Flávio tem negado de forma reiterada que pretenda adotar a medida.
Uma fala anterior do senador passou a ser associada à controvérsia. Em gravação divulgada em 23 de agosto para explicar a ausência em um debate da TV Bandeirantes, ele disse que “um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A declaração foi interpretada como um “apito de cachorro”, expressão usada para definir uma mensagem cifrada dirigida a um público específico, neste caso, eleitores evangélicos.