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Mundo

Netanyahu é alvo de protestos na ONU e rebate acusações sobre Gaza

Comitiva palestina e representantes de dezenas de países deixaram plenário durante fala do premiê israelense
Agora RN
28/09/2026 | 15:21

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, defendeu as operações militares do país contra o Hamas e o Irã em discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na quinta-feira 24. A fala foi marcada pela saída de dezenas de delegações do plenário e por protestos realizados nas ruas de Nova York.

Netanyahu rejeitou acusações de genocídio na Faixa de Gaza e afirmou que Israel continuará suas operações militares por não ter, segundo ele, “outra escolha”. Quando o premiê subiu à tribuna, representantes de diversos países deixaram o salão, enquanto integrantes da delegação israelense e apoiadores reagiram com aplausos e gritos.

Comitiva palestina deixa plenário da ONU durante
Comitiva palestina deixa plenário durante discurso de Netanyahu na ONU — Foto: Reuters

O primeiro-ministro classificou os diplomatas que se retiraram como “covardes morais”. Em seu discurso, apresentou as guerras travadas por Israel como parte de uma disputa pela sobrevivência do país e afirmou que os Estados Unidos são o principal parceiro de Israel na região.

Hamas, Irã e acusações de genocídio

Netanyahu também defendeu a continuidade das operações contra o Hamas e citou o ataque de 7 de outubro de 2023. Segundo autoridades israelenses, cerca de 1.200 pessoas foram mortas em Israel e 251 foram sequestradas naquela ocasião.

A ofensiva israelense iniciada posteriormente provocou dezenas de milhares de mortes palestinas, de acordo com autoridades de saúde de Gaza. Ao rebater as acusações de genocídio, Netanyahu disse que as Forças de Defesa de Israel atuam para proteger a população do país e classificou a acusação como “a maior mentira do século”.

A posição contrasta com a avaliação apresentada neste mês pela Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU, que afirmou haver elementos para considerar que Israel cometeu genocídio contra palestinos em Gaza. O governo israelense rejeita a conclusão e diz que suas operações têm como alvo o Hamas.

Embate com prefeito de Nova York

O discurso também levou a um confronto entre Netanyahu e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. O primeiro-ministro chamou o democrata de “antissemita” e afirmou que judeus deixaram de se sentir seguros na cidade desde sua eleição. Mamdani rejeita acusações de apoio ao Hamas feitas por autoridades israelenses.

O prefeito havia defendido anteriormente a prisão de Netanyahu com base em mandado expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), mas depois reconheceu que não possui autoridade legal para determinar a detenção. O TPI acusa Netanyahu de crimes de guerra e crimes contra a humanidade relacionados à guerra em Gaza. Israel contesta as acusações e não reconhece a jurisdição do tribunal.

Após o pronunciamento, Mamdani afirmou que Netanyahu usou a tribuna da ONU para apresentar informações falsas sobre a guerra. O prefeito acusa Israel de genocídio contra palestinos, classificação rejeitada pelo governo israelense.

Abbas discursa por vídeo

Horas antes da fala de Netanyahu, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, discursou por vídeo. Pelo segundo ano seguido, ele não compareceu pessoalmente à Assembleia-Geral porque o governo Trump recusou a concessão de visto para sua participação em Nova York.

Abbas acusou Israel de conduzir um “plano colonial malicioso” e voltou a defender a solução de dois Estados. O líder palestino afirmou esperar a criação de um Estado palestino democrático, baseado no Estado de Direito e no respeito aos direitos humanos.

Do lado de fora da sede das Nações Unidas, manifestantes pró-palestinos protestaram contra a presença de Netanyahu. Mais de cem pessoas foram detidas, segundo relatos sobre os atos, entre elas a atriz Susan Sarandon.

O episódio expôs novamente o isolamento diplomático enfrentado por Israel em parte da comunidade internacional, enquanto os Estados Unidos seguem como principal aliado político e militar do governo israelense. Netanyahu também busca permanecer no poder em meio às consequências das guerras na região e às críticas internacionais; a eleição em Israel está prevista para 27 de outubro.