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Saúde

Montanha-russa pode causar lesão sem pancada, e médicos listam os sinais para procurar socorro

Caso de brasileira de 28 anos que perdeu os movimentos de um lado do corpo depois de andar num parque de Vinhedo chamou atenção para o risco
Agora RN
23/09/2026 | 18:54

Não é preciso bater a cabeça em nada para sair machucado de uma montanha-russa. Os riscos da montanha-russa também estão na física do passeio: acelerar, frear e mudar de direção de repente joga cabeça e pescoço de um lado para o outro em fração de segundo e, em casos raros, provoca dano neurológico.

O assunto voltou à pauta por causa de uma paulista de 28 anos. Depois de andar numa atração de um parque em Vinhedo, no interior de São Paulo, ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo.

Carrinho de montanha-russa com passageiros no alto de um trilho de metal vermelho e amarelo, sob céu azul
Montanha-russa em parque de diversões montado no Rio Grande do Norte, em imagem de arquivo sem relação com o caso de Vinhedo — Arquivo/Agora RN

O que aconteceu em 20 de abril só ganhou repercussão nacional nos últimos dias, cinco meses depois. A jovem teve hemorragia dentro do crânio, foi para uma cirurgia de emergência e, nos exames feitos depois, apareceu traumatismo craniano grave somado a inchaço no cérebro. Em nenhum momento houve relato de pancada na cabeça durante o percurso.

Os médicos associaram o quadro ao efeito chicote, que também atende pelo nome em inglês, whiplash — o mesmo mecanismo descrito em batidas de carro por trás. Ele acontece quando o pescoço é submetido a uma aceleração ou a uma freada repentina. A cabeça vai para direções diferentes num intervalo muito curto, e o cérebro sente as forças geradas no trajeto.

Ainda que o crânio não encoste em superfície nenhuma, o vaivém e a rotação bastam para alterar o tecido nervoso. Existe ainda uma hipótese considerada rara: o machucado nas artérias do pescoço, as carótidas e as vertebrais. Um movimento muito forte chega a rasgar a parede desses vasos, no que se chama dissecção arterial, e isso atrapalha a circulação do sangue e pode terminar em acidente vascular cerebral.

Vale a proporção, para não transformar exceção em regra: complicação neurológica séria em brinquedo de alta velocidade é pouco comum. O que aparece com frequência bem maior é distensão de músculo e machucado na região do pescoço, quadro que costuma se resolver sem sequela.

Os sinais que pedem socorro

Depois de uma atração puxada, alguns sintomas pedem socorro, e a recomendação médica é não esperar para ver se passa. Dor de cabeça forte, que chega de repente ou que vai piorando. Vômito que se repete. Perda de consciência. Confusão mental. Sono fora do normal. Convulsão.

A lista segue com fala embolada, visão dupla, fraqueza ou formigamento de um lado só do corpo, dificuldade de caminhar e perda séria do equilíbrio. Qualquer um desses sinais, isolado, já basta para levar a pessoa ao hospital. Dor de pescoço intensa, perda de força e mudança de sensibilidade em braço ou perna completam os sinais que levam ao pronto-socorro.

Quem precisa de cuidado extra

Antes mesmo de entrar na fila do brinquedo, há um grupo de pessoas que precisa de cuidado extra. Quem tem alteração importante na coluna do pescoço, histórico de cirurgia ou de machucado anterior na região. Quem sofreu traumatismo craniano, concussão ou lesão no pescoço há pouco tempo e ainda sente sintoma. Criança e idoso entram nessa conta, porque a anatomia e a resposta do corpo deles não são as de um adulto jovem — pescoço e musculatura reagem de outro jeito à mesma força.

A prevenção mais simples é obedecer à regra afixada em cada brinquedo — a de idade, a de altura, a de peso e a de condição de saúde. São critérios definidos pelo fabricante da atração para a faixa de força que o equipamento produz. Quem tem doença no pescoço, cirurgia recente na coluna, sintoma neurológico ou problema conhecido nos vasos deve ouvir o médico antes de encarar atração de alta intensidade.

O caso está sob investigação

O caso de Vinhedo está nas mãos da Polícia Civil e do Ministério Público paulista, que apuram em paralelo. Foram pedidas perícia no carrinho e na estrutura do brinquedo, laudo indireto de corpo de delito e o prontuário dos hospitais que atenderam a jovem. Em nota, o parque informou que tem certificado internacional de segurança, que cumpre as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e que disponibilizou seguro para pagar o tratamento da jovem. A investigação vai dizer se houve falha no equipamento ou na operação.