O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania dos países e criticou interferências externas em processos eleitorais durante discurso na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
A fala ocorreu a menos de duas semanas da eleição presidencial brasileira e em meio às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Lula afirmou que o cenário internacional exige uma escolha entre multilateralismo e unilateralismo, além de soberania e subordinação.

O presidente disse que o Brasil busca relações internacionais baseadas em cooperação e desenvolvimento. Sem citar diretamente os Estados Unidos no trecho, declarou que o país não cabe “no quintal de ninguém”.
Lula também defendeu maior integração entre países da América Latina e afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a cooperação regional. Segundo ele, a democracia voltou a ser ameaçada por interferências estrangeiras em eleições.
A eleição presidencial brasileira está marcada para 4 de outubro. Lula disputa o cargo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve nos Estados Unidos em maio e foi recebido pelo presidente Donald Trump na Casa Branca.
Outro ponto de divergência entre os dois países envolve o comércio. A administração norte-americana impôs tarifas adicionais a produtos brasileiros, medida contestada pelo governo brasileiro.
Na área ambiental, Lula afirmou que o Brasil pode conciliar desenvolvimento econômico, preservação e redução das emissões. O presidente citou a redução do desmatamento, a presença de fontes renováveis na matriz energética e defendeu que a floresta tem maior valor preservada.
Ao mesmo tempo, afirmou que o país seguirá buscando a exploração de recursos naturais, como reservas da Margem Equatorial e terras raras utilizadas em atividades ligadas à transição energética.
O debate geral da ONU reúne representantes dos 193 Estados-membros e ocorre entre 22 e 28 de setembro. Desde 1955, o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura da sessão.