O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como “terceira facada” a operação deflagrada nesta quinta-feira 10 pela Polícia Federal (PF) contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e pessoas envolvidas na produção de “Dark Horse”, filma sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), a Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. Segundo a PF, a investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e destinados a organizações relacionadas ao projeto cinematográfico.

Mario Frias, que atua como roteirista e produtor-executivo do filme, está entre os alvos da operação. A produtora Karina Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB), também é investigada. A apuração alcança recursos públicos repassados à instituição.
De acordo com a PF, há indícios da atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. O grupo é suspeito de direcionar recursos para empresas subcontratadas de maneira irregular e sem a comprovação da prestação dos serviços. São investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações relacionadas a licitações.
Após a deflagração da operação, Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo nas redes. “Uma decisão do ex-ministro da Justiça do Lula Flávio Dino deu uma canetada e recolocou o Andrei Rodrigues, do Lula, na Polícia Federal. Hoje, menos de 24 horas depois, a Polícia Federal do Lula deflagrou uma operação contra adversários políticos”, declarou.
Flávio Bolsonaro ainda relacionou a operação à disputa eleitoral e afirmou que o governo estaria reagindo ao desempenho de sua candidatura nas pesquisas de intenção de voto. “ A gente passou o Lula nas pesquisas oficiais deles e eles estão desesperados. Entraram no modo sobrevivência”, disse.
A Polícia Federal suspeita que pelo menos R$ 750 mil em recursos públicos tenham sido desviados para a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse e que pertence ao Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama.
Segundo as investigações, o ICB recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado Mario Frias e movimentou R$ 83 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Parte dos valores teria sido transferida a pessoas ligadas ao parlamentar.
Segundo a PF, o ICB repassou R$ 700 mil a duas instituições do mesmo grupo empresarial da NTT Brasil. No mesmo período, a NTT transferiu R$ 750 mil para a Go Up. A polícia considera relevante a proximidade temporal das operações.
A Go Up também recebeu R$ 645,4 mil de Mario Frias. A PF avalia que o deputado não possuía lastro financeiro para realizar os pagamentos. A produtora movimentou R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025, período que coincide com as filmagens da cinebiografia.