Nunca se prendeu tanto motorista bêbado na Grande Natal quanto neste ano. As blitzes montadas contra quem bebe e dirige terminaram em 534 prisões por embriaguez ao volante entre janeiro e 31 de agosto de 2026, na capital e nos municípios vizinhos. É o maior número desde 2016, segundo o Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv/CPRE), ligado à Polícia Militar do Rio Grande do Norte.
E ainda faltam quatro meses para o ano fechar. O total de 2025 inteiro tinha sido de 488 prisões; os oito primeiros meses de 2026 já superam esse número em 46 ocorrências, alta de aproximadamente 9,4%.

Extremoz na frente
Entre os municípios da Região Metropolitana, quem lidera é Extremoz, com 166 registros. Vêm em seguida Macaíba, com 86, e Natal, com 62. Somadas, as três cidades respondem por 314 prisões — cerca de 59% de tudo o que foi contabilizado no período.
Os números saem das ações da Operação Zero Álcool, criada em 2025 e tocada lado a lado com o que já fazia a Seção Lei Seca. Foi ela que espalhou mais equipes pelas vias e multiplicou as abordagens dirigidas a quem bebe antes de assumir o volante.
Quando a prisão acontece
O motorista é preso quando o teste de alcoolemia dá resultado igual ou superior a 0,34 miligrama de álcool por litro de ar alveolar.
Há um segundo caminho: quem se recusa a soprar o etilômetro também pode ser preso, desde que apresente sinais de alteração da capacidade psicomotora — sinais que a legislação de trânsito lista e que precisam ser constatados pelos agentes.
Uma década de sobe e desce
A série que o BPRv/CPRE apresenta começa em 2016 e mostra primeiro uma queda acentuada. Foram 357 prisões naquele ano, número que despencou para 91 em 2017, caiu de novo para 79 em 2018 e chegou ao piso de 25 em 2019, o menor resultado de todo o período analisado.
Nos dois anos seguintes o patamar seguiu baixo: 34 prisões em 2020 e 44 em 2021. A virada veio em 2022, com 253 ocorrências. Em 2023 o número saltou para 477. Houve recuo para 349 em 2024, e nova subida em 2025, quando se chegou às 488.
Com 534 prisões contabilizadas antes mesmo de setembro começar, 2026 já é o pior ano de toda a série que a corporação divulgou.