A regulamentação publicada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) no último dia 18 de agosto de 2026 sobre o uso futuro dos drogômetros tem gerado dúvidas entre motoristas que utilizam medicamentos controlados. Os equipamentos serão usados para detectar a presença de substâncias psicoativas no organismo durante fiscalizações de trânsito e poderão registrar resultado positivo em pessoas que fazem tratamento com determinados remédios de uso comum.
A medida tem como objetivo identificar condutores que dirigem sob efeito de substâncias capazes de alterar a capacidade psicomotora. Entre elas estão medicamentos prescritos para tratar ansiedade, depressão, dores intensas, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), além de alguns antialérgicos e xaropes para tosse.

Segundo a regulamentação, a fiscalização não terá como finalidade punir quem faz tratamento médico regularmente, mas coibir a condução de veículos quando houver comprometimento da capacidade de dirigir. Caso o teste do drogômetro apresente resultado positivo, o motorista não será autuado automaticamente.
Medicamentos que podem ser detectados
Entre as principais classes de medicamentos que poderão ser identificadas pelos drogômetros estão:
- Ansiolíticos e sedativos, como Diazepam, Clonazepam e Alprazolam;
- Antidepressivos, principalmente os que possuem efeito sedativo;
- Analgésicos opioides, como Codeína, Tramadol e Morfina;
- Xaropes para tosse que contenham codeína ou outras substâncias sedativas;
- Estimulantes usados no tratamento de TDAH, como o metilfenidato;
- Antialérgicos de primeira geração, conhecidos por provocar sonolência.
Como será o procedimento
A regulamentação prevê que um resultado positivo no drogômetro deverá ser confirmado por meio de um exame complementar. Se o motorista apresentar receita médica ou outro documento que comprove o uso terapêutico do medicamento, essa informação será considerada pela autoridade de trânsito.
A orientação é que condutores que utilizam medicamentos controlados mantenham a prescrição médica atualizada e, sempre que possível, portem também um laudo do médico explicando a necessidade do tratamento.
Além da documentação, especialistas recomendam a leitura da bula para verificar se o medicamento provoca sonolência, redução dos reflexos ou outras alterações que possam comprometer a condução do veículo. Nesses casos, a recomendação é não dirigir enquanto persistirem os efeitos da medicação.