As visitas sociais foram retomadas parcialmente na Penitenciária Estadual de Alcaçuz após dois dias consecutivos de suspensão. Segundo o Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte (Sindppen-RN), a entrada de familiares ocorreu em apenas um dos pavilhões da unidade.
A presidente do sindicato, Vilma Batista, explicou que as visitas foram autorizadas no setor que apresentava menor quantidade de presos e maior número de policiais penais. No pavilhão 4, onde estão mais de 943 detentos, o atendimento aos familiares precisou ser remarcado devido ao baixo efetivo.

“Nós conversamos com a equipe, como a realidade é um pouco diferente do pavilhão 4, onde tivemos que remanejar essas visitas para outro dia, tendo em vista o baixo efetivo”, afirmou.
De acordo com Vilma, a quantidade de servidores disponíveis não permitiria realizar a movimentação dos visitantes sem comprometer a segurança. Ela afirmou que, em algumas situações, apenas um policial penal era responsável pela movimentação de dezenas de presos.
“Nós fazíamos 20, 30, 40 presos, até mais, 100 presos com um policial apenas. Então, estamos brincando de segurança, colocando em risco a vida dos nossos policiais, dos presos e, principalmente, desses visitantes”, declarou.
Sindicato nega reivindicação salarial
O Sindppen-RN afirmou que o adiamento das visitas em Alcaçuz e na Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga foi decidido pelos próprios policiais penais das unidades.
Segundo a entidade, a medida não está relacionada a reivindicações salariais, mas à falta de condições consideradas adequadas para o trabalho e para a realização dos procedimentos de segurança.
A categoria informou que continuará executando as atividades conforme os protocolos legais, priorizando atendimentos médicos, alimentação, assistência jurídica e vistorias estruturais.
“Nós temos muitos presos doentes no sistema prisional. É uma prioridade a saúde e a vistoria minuciosa e estrutural, que infelizmente não estamos tendo dentro do sistema penitenciário”, disse Vilma.
A dirigente ressaltou que o sindicato não é contrário às visitas e reconhece o contato com os familiares como um direito dos detentos. No entanto, defendeu que a atividade somente seja realizada quando houver condições para garantir a segurança dos policiais, presos e visitantes.
Fuga aumentou preocupação com segurança
A mobilização dos policiais penais começou após a fuga registrada na sexta-feira 31, na Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga. Na ocasião, 13 detentos deixaram a cela, dois foram contidos ainda na área interna e 11 conseguiram sair da unidade.
O sindicato também criticou a abertura de procedimentos administrativos para apurar possíveis responsabilidades de servidores e cobrou do Governo do Estado um plano para reforçar o efetivo, o monitoramento e a estrutura do sistema penitenciário.