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Visitas

Policiais penais reduzem atividades, e visitas são suspensas em Alcaçuz

DGPP atribui suspensão ao sindicato e afirma que somente o juiz da Execução Penal pode decidir sobre as visitas sociais nas unidades prisionais
Luzia Cavalcanti
03/08/2026 | 12:19

Familiares de presos chegaram à Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na manhã desta segunda-feira 3, mas foram informados no local de que as visitas sociais ao Pavilhão 4 não seriam realizadas.

A interrupção ocorreu após o Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte (Sindppen-RN) deliberar que Alcaçuz e a Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga passariam a funcionar apenas com medidas de segurança e procedimentos essenciais.

Fachada da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal
Fachada da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal Foto: José Aldenir

A decisão foi tomada na sexta-feira 31, após reuniões do sindicato com policiais penais e equipes de plantão das duas unidades. Segundo a entidade, serão mantidas exclusivamente atividades como alimentação dos presos, assistência jurídica e atendimento de saúde.

As demais atividades consideradas extras ficarão suspensas até que o Governo do Estado convoque o Grupo de Gerenciamento de Crises (GGI) para discutir a situação do sistema prisional com representantes do sindicato e da categoria.

DGPP afirma que a decisão sobre a suspensão de visitas cabe ao juiz da Execução Penal

Em nota, a Diretoria-Geral da Polícia Penal (DGPP) atribuiu ao movimento sindical a não realização das visitas no Pavilhão 4 de Alcaçuz.

“A não realização das visitas, nesta segunda-feira 3, no Pavilhão 4 da Penitenciária de Alcaçuz, decorre de ação promovida pelo Sindicato dos Policiais Penais que, sem qualquer determinação da Diretoria-Geral da Polícia Penal, comprometeu a rotina e as visitas aos familiares”, informou.

A Diretoria-Geral ressaltou que o juiz da Execução Penal é a autoridade competente para determinar a suspensão de visitas sociais nas unidades prisionais.

O órgão informou ainda que está adotando as medidas administrativas cabíveis e comunicando o episódio às autoridades responsáveis para que sejam tomadas as providências necessárias.

Familiares reclamam da falta de aviso

Em entrevista à TV Ponta Negra, familiares relataram que somente souberam da suspensão quando chegaram à penitenciária. As visitas estavam previstas para começar às 8h, mas parte do grupo aguardava no local desde as 6h.

Segundo os entrevistados, havia idosos, gestantes, crianças e bebês entre as pessoas que foram até Alcaçuz. Alguns familiares vieram de municípios do interior, como Caicó, e tiveram despesas com transporte e alimentação.

“Quando a gente chega aqui para as visitas, ninguém avisou nada, tudo cancelado. Tem gente que vem de longe e está pagando por uma coisa que não tem nada a ver”, afirmou uma familiar.

Os parentes questionaram o fato de as visitas em Alcaçuz terem sido afetadas após a fuga registrada na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, embora sejam unidades diferentes.

Uma das entrevistadas afirmou que a principal reclamação não era apenas contra a interrupção, mas contra a ausência de uma comunicação antecipada.

“A gente não é contra a visita ter sido suspensa. A gente entende, sim. Mas custava avisar? A gente vem de longe, gastando o que não tem. Se tivessem informado, ninguém teria vindo”, declarou.

De acordo com os relatos, a visita ocorre uma vez por mês e dura aproximadamente duas horas. Algumas famílias disseram que precisam pedir dinheiro emprestado ou comprometer parte da renda para viajar até a penitenciária.

Sindicato critica gestão da Seap

O Sindppen-RN afirma que vem alertando há meses sobre dificuldades estruturais e operacionais enfrentadas pelos policiais penais. A entidade também critica a condução da Secretaria da Administração Penitenciária (Seap).

A presidente do sindicato, Vilma Batista, afirmou que a gestão flexibilizou procedimentos e deixou de priorizar medidas de segurança dentro das unidades.

“É inadmissível o secretário afirmar que desconhecia o que estava acontecendo dentro das unidades e anunciar a abertura de procedimentos para responsabilizar servidores. O atual cenário é consequência direta de decisões da gestão, que flexibilizou procedimentos e deixou de priorizar a segurança”, declarou.

Segundo Vilma, os policiais penais enfrentam dificuldades até mesmo para realizar atividades ordinárias, como vistorias internas e estruturais, porque são direcionados para outras demandas.

“Enquanto a gestão tenta transferir responsabilidades para quem está na linha de frente, os policiais convivem diariamente com o caos dentro das unidades. Se o secretário estivesse mais presente no sistema penitenciário, conheceria de perto os problemas estruturais e operacionais que a categoria enfrenta todos os dias”, afirmou.

Fuga desencadeou crise

A mobilização ocorre após a fuga de 11 presos da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, registrada na sexta-feira 31. Outros dois detentos foram contidos ainda na área interna da unidade.

Dos 11 que conseguiram deixar o presídio, três já foram recapturados. Outros oito permanecem sendo procurados pelas forças de segurança.