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Streaming

“Novelinhas” verticais ganham força no mercado

Produções com episódios de até três minutos conquistam espaço entre gigantes da mídia e acompanham mudança no consumo de conteúdo audiovisual
Por O Correio de Hoje
10/07/2026 | 16:44

Produções em formato vertical, conhecidas como microdramas ou novelinhas verticais, deixaram de ser uma curiosidade restrita às plataformas digitais e passaram a integrar a estratégia de grandes grupos de mídia. Com episódios de um a três minutos voltados para celulares, o formato ganhou espaço no mercado internacional, movimentou cerca de US$ 11 bilhões em 2025 e já recebe investimentos de empresas como NBCUniversal, Fox, BET, Lifetime e Globoplay.

O crescimento acompanha mudanças no consumo de conteúdo audiovisual, especialmente entre o público mais jovem, que cada vez mais prioriza vídeos curtos em plataformas como TikTok e YouTube em detrimento da televisão tradicional e até dos serviços convencionais de streaming.

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Microdramas em formato vertical atraem grandes estúdios e movimentam mercado bilionário - Foto: OpenAI/DC Studio/Freepik/Divulgação Reelshort

Um dos nomes que aderiram ao formato é o ator norte-americano Taye Diggs, conhecido por trabalhos na Broadway, no cinema e na televisão. Apesar da trajetória consolidada, ele afirma ter encontrado resistência ao apresentar seu novo projeto. “Nós nos encontramos com escritores que não queriam colocar o nome no projeto.”

Mesmo diante do preconceito inicial, Diggs diz acreditar no potencial do formato. “Estou orgulhoso de pôr meu nome nisso. É algo novo e de qualidade.” O ator protagonizou e atuou como produtor executivo de Off Limits & All Mine, série composta por 44 episódios lançada em abril na plataforma CandyJar. Seu próximo projeto será Tides of Temptation, concebido como complemento do filme da Lifetime Terry McMillan Presents: Paradise With You.

A proposta é utilizar os episódios curtos para ampliar a história dos personagens apresentados no longa. Embora não participe do elenco, Diggs atua novamente como produtor executivo. Segundo levantamento divulgado pela consultoria Activate, quase 30 milhões de adultos norte-americanos já assistiram a algum microdrama.

Diggs acredita que o formato ainda vive um momento de experimentação. “Estamos em uma posição agora como o Velho Oeste, no qual coisas sem sentido estão fazendo sentido.” A entrada de grandes grupos de comunicação marca uma nova fase para os microdramas.

Além da Lifetime, empresas como NBCUniversal, Fox, BET e A+E Global Media anunciaram projetos específicos para o formato. A Lifetime prepara seu primeiro microdrama original com produção descrita como de “nível cinematográfico”, buscando aproximar a qualidade técnica das produções tradicionais do modelo vertical.

A diretora de criação da BET Studios, Aisha Summers-Burke, afirma que o setor passa por um período de transformação. “Estamos em um novo espaço e um novo tempo.” Ela acrescenta que o comportamento da audiência exige adaptações constantes. “Acho que todos teremos de pensar em novas maneiras de criar conteúdo, atendendo à vontade do público e mantendo a audiência.”

A NBCUniversal também decidiu explorar o segmento por meio de realities em episódios curtos. A plataforma Peacock lançou Campus Confidential: Miami, protagonizada por Georgia Gay, filha da participante de Real Housewives of Salt Lake City Heather Gay, em uma produção com 50 episódios.

Outro lançamento é Salon Confessionals with Madison LeCroy, derivado do reality Southern Charm. A apresentadora e cabeleireira explica que o ambiente intimista facilita os relatos dos participantes. “Vou ser honesta com você, às vezes essas histórias que ouço, em Southern Charm e reality shows, se arrastam por tempo demais.”