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Meio Ambiente

Rio do Fogo lança torneio de caça ao peixe-leão para conter avanço da espécie invasora

Competição distribuirá R$ 3,5 mil em prêmios e exigirá capacitação obrigatória; estudo da Ufersa aponta que a costa potiguar reúne condições para a expansão da espécie
Redação
10/07/2026 | 10:26

A Prefeitura de Rio do Fogo realizará o 1º Torneio de Caça ao Peixe-Leão como parte das ações para reduzir a presença da espécie invasora no litoral do Rio Grande do Norte. A competição utilizará a pesca artesanal como forma de controle ambiental e distribuirá R$ 3,5 mil em premiações. Para participar, os pescadores deverão passar por uma capacitação obrigatória marcada para o dia 10 de agosto.

Segundo a prefeitura, o torneio busca unir ações de preservação ambiental e conscientização sobre os impactos provocados pelo peixe-leão nos ecossistemas marinhos. A capacitação ocorrerá às 9h, na Colônia Z-3, em Rio do Fogo, e será requisito para a participação na disputa.

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Rio do Fogo promoverá o primeiro torneio de caça ao peixe-leão no RN, com R$ 3,5 mil em premiações e capacitação obrigatória - Foto: Reprodução

A competição premiará o barco que capturar o maior número de peixes-leão. O primeiro colocado receberá R$ 2 mil, o segundo R$ 1 mil e o terceiro R$ 500. Também serão distribuídos brindes aos participantes.

A iniciativa ocorre em meio ao avanço da espécie no litoral potiguar. Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) concluiu que a invasão do peixe-leão representa “uma ameaça iminente e significativa à biodiversidade marinha local, impactando os ecossistemas marinhos e a economia pesqueira”.

A pesquisa analisou exemplares capturados entre 2022 e 2024 por pescadores parceiros nos municípios de Areia Branca, Porto do Mangue e Macau, na Costa Branca. Os pesquisadores verificaram que a espécie apresenta taxa de crescimento semelhante à registrada em outras regiões invadidas, indicando que o litoral potiguar oferece condições favoráveis para seu estabelecimento e dispersão.

A presença do peixe-leão preocupa porque a espécie não possui predadores naturais na costa brasileira, o que favorece sua reprodução. Cada fêmea pode liberar até 30 mil ovos por desova, enquanto um único peixe é capaz de consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos.

Além de predar espécies nativas, incluindo peixes endêmicos da costa brasileira, o peixe-leão pode provocar desequilíbrio ambiental e afetar a atividade pesqueira. Pesquisas realizadas em Fernando de Noronha já identificaram exemplares alimentando-se de espécies do arquipélago e se reproduzindo na região.

O peixe-leão também representa risco para as pessoas. Seus espinhos possuem uma toxina que pode provocar dor intensa, vermelhidão, febre e, em casos mais graves, convulsões.