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Flávio Bolsonaro

Aliados criticam pré-campanha de Flávio e cobram retorno ao “DNA bolsonarista”

Influenciadores e ex-integrantes do governo Bolsonaro questionam estratégia, comunicação e aproximação do senador com o centro político
Por O Correio de Hoje
09/07/2026 | 16:18

A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a enfrentar críticas públicas de nomes ligados ao próprio campo bolsonarista. Desde terça-feira 7, influenciadores e antigos integrantes do governo Jair Bolsonaro têm questionado a organização da equipe, a estratégia de comunicação e os movimentos do pré-candidato em direção ao eleitorado de centro.

As manifestações ganharam força após Flávio participar de uma audiência nos Estados Unidos, onde defendeu que o governo americano não imponha novas tarifas a produtos brasileiros antes das eleições. Entre os críticos estão os youtubers Paulo Figueiredo e Kim Paim, ligados ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência na gestão Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro foto Edilson Rodrigues Senado
Senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República - Foto: Edilson Rodrigues / Senado

Além de apontarem falhas na condução da pré-campanha, os três questionam um suposto afastamento de Flávio das características tradicionais do bolsonarismo. A estratégia adotada pela equipe prevê acenos ao centro político como forma de ampliar a presença do senador entre eleitores indecisos.

Integrantes da pré-campanha não responderam publicamente às críticas. Sob reserva, dois deles disseram à Folha de S. Paulo que as manifestações seriam motivadas por ressentimento de pessoas que estão fora da estrutura eleitoral e, por isso, serão ignoradas. Na avaliação desses interlocutores, Eduardo Bolsonaro não participa do movimento.

“A campanha de Flávio não existe. Não tem agenda. Não tem comunicação. Não tem organização. Não tem planejamento”, escreveu Wajngarten no X nesta quarta-feira 8.

Demitido do PL em 2025, após a divulgação de mensagens em que criticava uma possível candidatura presidencial da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o ex-secretário também apresentou sugestões para uma reformulação da equipe.

Uma delas é entregar a coordenação-geral a Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, publicitário, ex-policial e amigo de Flávio. Ele deixou a campanha durante a crise relacionada ao filme “Dark Horse” e a Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Wajngarten também defendeu o retorno de Toninho Neto e Walter Longo, que haviam se posicionado contra a contratação do publicitário Eduardo Fischer como consultor estratégico de comunicação. Outra sugestão foi a entrada de Duda Lima, marqueteiro do PL, embora pessoas próximas afirmem há meses que ele não demonstra interesse em integrar a pré-campanha.

“Empodere nominalmente grandes lideranças católicas, evangélicas, do agro, da segurança pública, da área médica, da área da educação, do desenvolvimento do varejo, para reuniões semanais com updates diários. Chega de erros, chega de ruídos, chega de quem não conhece nem gosta do bolsonarismo”, afirmou.

Paulo Figueiredo também fez críticas à condução da pré-campanha. Em vídeo publicado na terça-feira, o influenciador afirmou que existe um “desastre de comunicação”, classificou a campanha como “insossa” e disse que a equipe demonstra preocupação excessiva com a imprensa.

Figueiredo havia provocado recentemente desgaste para Flávio ao afirmar que mulheres não sabem votar.

“Não adianta Flávio Bolsonaro jogar com as características de um candidato que tem 3% nas urnas. Flávio tem que jogar com as características do bolsonarismo”, disse.

Na sequência, defendeu uma postura mais próxima daquela adotada por Jair Bolsonaro.

“Imagina se [Jair] Bolsonaro teria tido qualquer pudor em falar sobre o viés óbvio do voto feminino e do que isso representa. Que saudade daquele que falava que não queria ter filho ‘viado’, que saudade desse bolsonarismo.”

Figueiredo também reclamou da demora que identificou na divulgação de uma nota à imprensa após a participação de Flávio na audiência realizada nos Estados Unidos.

“Depois a gente perde e não sabe por que a militância é desengajada, por que toma de 7 a 1 na imprensa todos os dias”, afirmou.

Kim Paim, que reúne quase 1 milhão de inscritos no YouTube, direcionou críticas a integrantes específicos da pré-campanha. Ao falar sobre o coordenador-geral da equipe, o senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que ele “está alucinado pelo poder”. Procurado pela reportagem original, Marinho não respondeu.

“O que as pessoas possuem para divulgar o Flávio? Nada. Não tem material sendo gerado”, declarou Paim.

O youtuber também repercutiu reportagem do portal Metrópoles sobre a presença de Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-campanha de Flávio, em um evento nos Estados Unidos que reuniu o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o empresário Joesley Batista, da J&F.

Joesley foi apontado como intermediador do encontro entre os presidentes Lula (PT) e Donald Trump, realizado em maio. Para Paim, a participação de Santini no evento reforçaria suas críticas à condução da agenda do pré-candidato.

“É normal um cara desses cuidar da agenda do Flávio? E vocês não acham ainda mais estranho quando olha e vê que o Flávio não tem agenda? Está sendo claramente sabotado”, disse.