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Ortopedia

Dor nas costas e nas articulações pode indicar doenças e exige atenção, alerta ortopedista

Especialista explica quando dores são comuns, quais sintomas exigem avaliação médica e orienta sobre prevenção e tratamento
Por O Correio de Hoje
09/07/2026 | 14:09

A dor nas costas, nas articulações e nos joelhos está entre as queixas mais frequentes nos consultórios de ortopedia e, embora muitas vezes esteja relacionada a fatores mecânicos e ao processo natural de envelhecimento, alguns sintomas podem indicar doenças que exigem avaliação médica. As orientações foram dadas pelo médico ortopedista Sesiom Wanderley.

Segundo o ortopedista, praticamente toda a população já sentiu dor nas costas em algum momento da vida.

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Ortopedista Sesiom Wanderley: hérnias de disco e artrose causam dores persistentes - Foto: Divulgação

“Dor nas costas é um sintoma muito comum. Quem foi que nunca sentiu dor nas costas?”

Ele explicou que, na maioria das situações, trata-se de dores mecânicas, provocadas por má postura ou sobrecarga física.

“São dores associadas a uma má postura.”

Além dessas causas, o médico lembrou que existem diversas doenças da coluna que também provocam dor, como hérnias de disco, osteoartrose e lesões nas facetas vertebrais. Segundo ele, a identificação do problema depende principalmente da avaliação clínica.

“São problemas que a gente consegue identificar a causa através de um exame físico bem realizado. Isso é fundamental para a gente chegar a um diagnóstico.”

De acordo com o especialista, exames de imagem são indicados quando existem sinais de alerta ou quando a dor persiste mesmo após tratamento conservador.

“O exame de imagem padrão ouro para identificar problemas na coluna é a ressonância magnética. Quando a gente tem os ‘red flags’, que são bandeiras vermelhas, ou pacientes que têm dores crônicas, que não ficam bons com tratamento clínico conservador, a gente abre mão de um exame complementar.”

Questionado sobre dores articulares com o avanço da idade, o ortopedista afirmou que o desgaste das articulações faz parte do envelhecimento.

“O envelhecimento faz parte do processo natural da vida de qualquer um. Assim como o nosso corpo vai envelhecendo, as articulações também vão envelhecendo. E quase todo mundo vai ter artrose um dia. Seja ela do joelho, da coluna, do quadril, do ombro.”

Ele destacou, porém, que a dor persistente deve ser tratada.

“A dor que incomoda, aquela dor patológica, é que a gente deve tratar. Tem que cuidar para diminuir essas dores, para dar qualidade de vida ao paciente.”

O médico explicou que atua com intervenções para tratamento da dor, utilizando procedimentos guiados por ultrassonografia ou radioscopia.

“A gente identifica aquele ponto gatilho, aquele local que está doendo, e coloca a medicação anti-inflamatória ali.”

Entre as técnicas utilizadas, ele citou o uso de ortobiológicos, incluindo o plasma rico em plaquetas (PRP).

“O Conselho Federal de Medicina agora aprovou o uso do PRP, que é o plasma rico em plaquetas. A gente retira o sangue periférico do paciente, coloca numa centrífuga, retira as plaquetas e esse agregado plaquetário vai servir como fator anti-inflamatório para melhorar e, muitas vezes, curar casos de inflamação, tendinite e sinovite.”

Como exemplo, mencionou o tratamento realizado pelo jogador Neymar após uma lesão muscular.

O ortopedista explicou que a hérnia de disco costuma provocar sintomas diferentes de uma dor lombar comum.

“A hérnia de disco normalmente vai comprimir a raiz nervosa. Essa dor não vai ser apenas na região lombar. Normalmente, ela vai irradiar.”

Segundo ele, quando localizada na coluna lombar, a dor pode irradiar para os membros inferiores; quando ocorre na coluna cervical, pode atingir os braços.

“A dor também pode vir acompanhada de parestesia, aquela sensação de dormência. Pode vir acompanhada de alodinia, aquela sensação de queimação. E, em alguns casos mais graves, o paciente vai ter diminuição de força motora e alteração dos reflexos.”

“O que eu oriento é entrar em uma academia de musculação, fazer um reforço muscular, principalmente dos membros inferiores, quadríceps, isquiotibiais, fazer alongamentos da região posterior, fazer panturrilha. Esse reforço muscular ajuda o paciente a conseguir continuar realizando as caminhadas.”

O médico acrescentou que a dor não deve ser negligenciada.

“Ninguém merece sentir dor. A gente tem tratamento para dor. Se o paciente tiver dedicação, fizer a parte dele, e a gente fizer a nossa parte, a gente consegue diminuir, amenizar ou até mesmo retirar a dor.”

Outra dúvida apresentada pelos ouvintes foi sobre dor na parte posterior do joelho. Segundo o ortopedista, esse sintoma costuma estar associado à artrose ou ao cisto de Baker.

“Dor posterior do joelho normalmente é associada a quadros de gonartrose, que é a artrose do joelho. Mas nós temos outro problema posterior do joelho, que é o cisto de Baker.”

Ele explicou que, quando o cisto aumenta de tamanho, pode limitar os movimentos.

“Às vezes ele é volumoso e impede que o paciente faça a flexão normal do joelho. Muitas vezes essa flexão forçada é dolorosa.”

Sobre o tratamento da artrose, o médico ressaltou que a doença não tem cura, mas pode ser controlada.

“A artrose é uma patologia que não tem cura. O processo de degeneração é progressivo. A gente consegue ter controle.”

Segundo ele, dois fatores são fundamentais.

“Controlar a artrose é, basicamente, dois fatores fundamentais: perda de peso, nos pacientes com sobrepeso ou obesidade, e reforço muscular.”

Ele acrescentou que alterações como desalinhamento dos membros ou desequilíbrio muscular também precisam ser corrigidas. Segundo ele, sintomas como rigidez nas articulações ao acordar podem indicar esse tipo de doença.

Segundo ele, nos casos de processos inflamatórios agudos, a recomendação é utilizar gelo.

“A compressa gelada é fundamental para os processos inflamatórios agudos. Ela vai diminuir o processo inflamatório, diminuir o edema, consequentemente diminuir a dor e acelerar o processo de cicatrização.”

Já a compressa morna possui outra indicação.

“A compressa quente a gente utiliza principalmente para processos infecciosos.”