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Política

Lula critica pedido de Flávio e liga família Bolsonaro a novo tarifaço dos EUA: ‘Traidores da pátria’

Presidente critica pedido de adiamento de tarifas feito ao governo norte-americano
Redação
02/07/2026 | 19:35

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira 2 que o Brasil “não está à venda” e criticou o pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos para adiar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros para depois das eleições de outubro.

A declaração foi feita em uma rede social e ocorre após Flávio enviar, na quarta-feira 1º, uma manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), solicitando o adiamento por 180 dias de uma possível tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.

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Lula critica pedido de Flávio e liga família Bolsonaro a novo tarifaço dos EUA: 'Traidores da pátria' - Foto: Reprodução

Na avaliação de Lula, não há justificativa para a imposição de novas taxas em nenhum momento. “Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, afirmou o presidente.

Lula também associou a possibilidade de novas tarifas a articulações da família Bolsonaro. “O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros”, declarou.

Ao comentar o pedido de adiamento feito por Flávio, o presidente afirmou: “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria”.

O embate ocorre em meio à investigação aberta pelo USTR com base na chamada “Seção 301” da Lei de Comércio de 1974, que analisa práticas do Brasil em áreas como comércio digital, tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.

Com base nessa investigação, o órgão norte-americano propôs a aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros nas próximas semanas.

Na mesma publicação, Lula também criticou declarações de Flávio Bolsonaro sobre o Mercosul. Segundo o presidente, agir contra o bloco econômico, que classificou como “o mais importante da América Latina” e que firmou acordo com a União Europeia, representa “outro ataque ao interesse do povo brasileiro”.

No documento enviado ao USTR, Flávio afirmou que “o Brasil busca maneiras de se libertar das amarras do Mercosul que impediram governos anteriores de realizar tais negociações com os Estados Unidos”.

O presidente também mencionou o sistema de pagamentos instantâneos. “Não vão conseguir. O PIX é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, afirmou.

O PIX entrou no foco da investigação norte-americana sob a alegação de que o Banco Central, ao atuar como regulador e operador, poderia gerar conflito de interesses e prejudicar a competitividade de empresas estrangeiras.

A investigação foi aberta em julho de 2025, a pedido do governo Donald Trump, sob a justificativa de possíveis “práticas desleais” que afetariam a atuação de empresas e sistemas de pagamento internacionais no Brasil.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem afirmado que o PIX foi implementado durante a gestão de Jair Bolsonaro e nega que pretenda submeter o sistema a interesses estrangeiros.