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Política

Psol do RN fará discussão interna para decidir se fechará aliança com PT

Após reunião entre dirigentes das duas legendas, partido afirma que ainda não tomou decisão e diz que deliberação será feita de forma coletiva pela direção e pela militância
Redação
01/07/2026 | 05:23

O Psol do Rio Grande do Norte deverá realizar, nos próximos dias, uma rodada de discussões internas para decidir se aceitará ou não o convite feito pelo PT para integrar a aliança que está sendo construída em torno da pré-candidatura do ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado nas eleições de 2026.

Em nota divulgada nesta terça-feira 30 e em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente estadual do partido, Sandro Pimentel, afirmou que nenhuma definição foi tomada após a reunião realizada entre dirigentes das duas legendas na segunda-feira 29 e ressaltou que qualquer decisão dependerá de deliberação coletiva dos órgãos partidários.

Sandro Pimentel foto João Gilberto
Presidente do partido, Sandro Pimentel diz que nada está decidido sobre o tema - Foto: João Gilberto / ALRN

Na manifestação, o Psol fez questão de afastar a interpretação de que a reunião com o PT teria resultado em um acordo político. “Mesmo após reunião realizada com o PT-RN, nessa segunda-feira 29, nada foi definido e nenhuma decisão quanto a compor uma possível aliança com o Partido dos Trabalhadores no Estado foi tomada”, afirmou o partido em nota.

A legenda acrescentou que, “como é de costume no Psol, todas as decisões são tomadas de forma colegiada, ouvindo a militância e seus dirigentes”, e informou que somente após as tratativas internas se manifestará oficialmente sobre o assunto.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Sandro Pimentel confirmou que o PT formalizou o convite para que o Psol passe a integrar a chapa majoritária liderada pelos petistas no Rio Grande do Norte. Segundo ele, durante o encontro, os dirigentes do PT ressaltaram o papel desempenhado pelo partido tanto no cenário estadual quanto no nacional.

“O Partido dos Trabalhadores fez um convite formal para que nós integrássemos a aliança que vem sendo construída pelo Partido dos Trabalhadores. Colocaram a importância que o Psol tem no cenário nacional e no cenário estadual e, a partir disso, nós vamos discutir”, declarou.

O dirigente reforçou que não cabe à presidência estadual antecipar qualquer posicionamento antes da deliberação dos filiados e dirigentes. “Tudo no Psol é discutido coletivamente. Então, não cabe a mim e a nenhuma outra figura do partido se arvorar do direito de dizer que já tem decisão A ou B tomada”, afirmou.

Sandro acrescentou que o convite representa um fato novo dentro do debate político da legenda e que, por isso, será submetido às instâncias partidárias. “A política é muito dinâmica. Nós não tínhamos o convite do PT ainda, temos agora e vamos discutir com base nisso. E, repito, as decisões do Psol são tomadas coletivamente, discutindo sempre com muita responsabilidade”, enfatizou.

A aproximação entre as duas legendas começou oficialmente na manhã da última segunda-feira, quando representantes do PT e do Psol se reuniram na sede estadual petista, em Natal, para abrir as negociações em torno de uma possível composição para as eleições de 2026. O encontro foi solicitado pelo PT e ocorreu após o envio de uma carta assinada pela presidente estadual da legenda, Samanda Alves, ao Diretório Estadual do Psol, formalizando o convite para que o partido integre a frente política que vem sendo articulada.

Na carta, Samanda defende que a aliança seja construída “em defesa da democracia, da justiça social e da continuidade de um projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Norte”. O documento também destaca a parceria existente entre PT e Psol no plano nacional e sustenta que a união das chamadas forças democráticas seria estratégica para a disputa eleitoral do próximo ano.

Participaram da reunião os presidentes estaduais das duas legendas, Samanda Alves e Sandro Pimentel, integrantes do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, o pré-candidato do Psol ao Governo do Estado, Robério Paulino, e a secretária-geral do Psol Natal, Camila Barbosa. Ao término do encontro, ficou acertado que o conteúdo das conversas seria levado ao Diretório Estadual do Psol, responsável por deliberar sobre o convite petista.

Hoje, a aliança liderada pelo PT reúne a federação formada por PT, PV e PCdoB, além de PDT e PSB. O grupo trabalha as pré-candidaturas de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado e de Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT) ao Senado, enquanto ainda mantém em aberto a definição do candidato a vice-governador e dos suplentes de senador. Já o Psol, federado nacionalmente com a Rede Sustentabilidade, lançou as pré-candidaturas de Robério Paulino (Psol) ao Governo e de Sandro Pimentel (Psol) e Sônia Godeiro (Psol) ao Senado, sem definição, até o momento, dos nomes para vice e suplências.

Protesto dos Artistas Locais Robério Paulino (42)
Professor Robério Paulino quer ser candidato ao Governo e rejeita aliança com PT – Foto: José Aldenir

Robério defende candidatura própria

Enquanto a direção estadual do Psol afirma que ainda discutirá internamente o convite feito pelo PT para integrar a aliança governista, o pré-candidato do partido ao Governo do Estado, Robério Paulino, defendeu que a legenda mantenha a decisão anterior de ter candidaturas próprias nas eleições deste ano.

O professor universitário afirmou que essa posição foi aprovada por unanimidade pelo Diretório Estadual e apresentada durante a reunião realizada na segunda-feira com Samanda Alves.

“O Psol comunicou aos companheiros do PT a sua decisão do Diretório Estadual, por unanimidade, que resolveu manter as suas pré-candidaturas ao Governo, vice-governador e ao Senado”, declarou. Na sequência, ele reforçou que esse foi o posicionamento levado oficialmente à reunião. “Nós discutimos e comunicamos aos companheiros que o Psol vai de cara própria para essas eleições”, afirmou.