BUSCAR
BUSCAR
Economia

RN tem alta na geração de empregos em maio, mas saldo é discreto: só 109 vagas

Resultado do Novo Caged mostra desaceleração do mercado de trabalho no Estado; serviços sustentam saldo positivo, enquanto construção e agropecuária encerram o mês com fechamento de postos
Redação
01/07/2026 | 05:03

O mercado formal de trabalho do Rio Grande do Norte perdeu força em maio e registrou praticamente estabilidade na geração de empregos. Segundo levantamento elaborado pelo Sebrae-RN com base nos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), o Estado encerrou o mês com saldo positivo de apenas 109 vagas com carteira assinada, resultado da diferença entre 19.380 admissões e 19.271 desligamentos. O estoque de trabalhadores formais alcançou 530.103 vínculos ativos.

Embora o resultado permaneça positivo, os números mostram uma desaceleração significativa em relação ao desempenho observado nos últimos anos. Em maio de 2025, o saldo havia sido de 2.159 vagas; em 2024, de 2.882; em 2023, de 1.715; e em 2022, de 3.484 postos de trabalho. O desempenho deste ano representa o menor saldo positivo para um mês de maio desde o início da recuperação do mercado de trabalho após a pandemia.

carteira de trabalho
Em maio, o setor de serviços puxou a geração de empregos em todo o RN - Foto: José Aldenir

Os dados indicam ainda que o mercado de trabalho potiguar praticamente anulou o movimento de contratações realizado ao longo do mês, refletindo um cenário de menor dinamismo econômico e de comportamento heterogêneo entre os diferentes setores da atividade.

O setor de serviços voltou a exercer o papel de principal sustentação da geração de empregos no Estado. Em maio, respondeu pela abertura líquida de 400 vagas formais, impulsionado principalmente pelas atividades de assistência social sem alojamento, responsáveis por 112 novos postos de trabalho.

O comércio também apresentou desempenho positivo, com saldo de 146 vagas. O principal destaque ficou para o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios — supermercados, que respondeu por 91 empregos líquidos no período.

A indústria registrou desempenho discretamente positivo, com criação de 38 vagas. O segmento de atividades relacionadas a esgoto, exceto a gestão de redes, foi o que mais contribuiu para o resultado do setor, com saldo de 122 empregos.

Na direção oposta, a construção civil e a agropecuária encerraram o mês com saldo negativo. A construção eliminou 229 vagas, puxada pelo fechamento de postos na atividade de construção de edifícios, que perdeu 105 empregos formais. Já a agropecuária registrou saldo negativo de 244 vagas, influenciada principalmente pela redução de empregos no cultivo de melão, responsável por 291 desligamentos líquidos.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, entretanto, o mercado formal permanece positivo. Entre janeiro e maio, o Rio Grande do Norte criou 215 empregos com carteira assinada. O desempenho continua sendo sustentado pelo setor de serviços, que concentra saldo positivo de 5.087 vagas, seguido da construção, com 1.560, e do comércio, com 303 novos postos. Por outro lado, a indústria acumula perda de 1.149 empregos, enquanto a agropecuária registra saldo negativo de 5.580 vagas no período.

Os dados evidenciam que a retração da agropecuária continua sendo o principal fator de contenção do desempenho do mercado de trabalho estadual em 2026. Segundo o boletim, o cultivo de melão responde pela maior parte das perdas acumuladas no setor, com fechamento de 3.787 vagas desde o início do ano. Na indústria, o principal impacto negativo decorre da fabricação de álcool, que acumula redução de 1.172 empregos formais.

O levantamento também mostra diferenças relevantes conforme o porte das empresas. As microempresas permanecem como principal motor da geração de empregos no Estado, acumulando saldo positivo de 5.728 vagas entre janeiro e maio. Em sentido contrário, empresas médias (-3.174 vagas), grandes (-2.127) e pequenas (-212) apresentam saldo negativo no período, indicando que o crescimento do emprego formal tem sido sustentado pelos negócios de menor porte.

Na comparação regional, o Rio Grande do Norte apresentou um dos resultados mais modestos do Nordeste em maio. O Estado aparece à frente apenas de Alagoas, que registrou fechamento de 75 vagas. A Bahia liderou a geração de empregos na região, com saldo de 7.159 postos, seguida por Pernambuco (5.894), Ceará (3.421), Paraíba (2.012), Piauí (1.999), Maranhão (1.955) e Sergipe (877).

Entre os municípios potiguares, Parnamirim apresentou o melhor desempenho em maio, com criação de 498 empregos formais. Também registraram saldo positivo Vera Cruz (115), Pedro Velho (104), Riachuelo (67) e Currais Novos (65). No grupo das maiores perdas aparecem Mossoró, com fechamento de 379 vagas, Alto do Rodrigues (-189), São Gonçalo do Amarante (-127), Galinhos (-97) e Caicó (-83).

Apesar da desaceleração observada em maio, o estoque de trabalhadores com carteira assinada no Rio Grande do Norte permaneceu acima de 530 mil vínculos formais, demonstrando estabilidade do mercado de trabalho. O desempenho dos próximos meses dependerá, sobretudo, da recuperação de setores como agropecuária e indústria, que continuam exercendo pressão negativa sobre o saldo estadual de empregos.