A entrada de Neymar na vitória da Seleção Brasileira por 3 a 0 sobre a Escócia, na última quarta-feira 24, teve um significado que ultrapassou o resultado da partida. Ao entrar em campo com a camisa 10, o atacante tornou-se apenas o segundo jogador da história a utilizar o número mais emblemático da Seleção em quatro edições de Copa do Mundo, igualando um feito alcançado apenas por Pelé entre 1958 e 1970.
A marca reforça a posição de Neymar entre os principais nomes da história do futebol brasileiro. Convocado anteriormente para os Mundiais de 2014, no Brasil, 2018, na Rússia, e 2022, no Catar, o atacante voltou a vestir a camisa 10 na atual edição da Copa ao participar dos minutos finais da partida disputada no Hard Rock Stadium, em Miami. O triunfo garantiu ao Brasil a liderança do Grupo C e a classificação para o confronto contra o Japão, válido pela fase 16 avos de final, marcado para a próxima segunda-feira 29, em Houston.

O número 10 da Seleção carrega um peso histórico construído ao longo de décadas. Depois de Pelé, apenas outros três jogadores utilizaram a camisa em mais de uma Copa do Mundo: Rivellino, nas edições de 1974 e 1978; Zico, em 1982 e 1986; e Rivaldo, em 1998 e 2002. Nenhum deles, entretanto, alcançou quatro participações consecutivas ostentando a numeração.
O novo recorde amplia também a lista de marcas acumuladas por Neymar com a camisa da Seleção. O atacante integra o seleto grupo de brasileiros convocados para quatro Copas do Mundo, ao lado de Castilho, Nilton Santos, Djalma Santos, Pelé, Emerson Leão, Cafu, Ronaldo e Thiago Silva. Trata-se de uma relação formada por atletas que atravessaram diferentes gerações e mantiveram desempenho em alto nível durante mais de uma década.
Além da longevidade, Neymar figura entre os jogadores com maior experiência em Mundiais. Com a participação diante da Escócia, chegou a 14 partidas em Copas do Mundo, igualando Pelé, Gilmar e Emerson Leão. Entre os brasileiros, apenas alguns nomes históricos superam essa marca, construída ao longo de quatro edições do torneio.
Os números ofensivos também colocam o atacante entre os principais goleadores brasileiros da competição. Neymar soma oito gols em Copas do Mundo, desempenho que o deixa empatado com Leônidas da Silva e Rivaldo na quarta posição da lista histórica. À sua frente aparecem Ademir Menezes, Jairzinho e Vavá, com nove gols cada, enquanto Pelé marcou 13 e Ronaldo lidera o ranking nacional com 15.
A trajetória na Seleção também continua sendo ampliada em número de partidas. Contra a Escócia, Neymar alcançou 129 jogos com a camisa brasileira, consolidando-se como o terceiro atleta que mais vezes defendeu a equipe nacional. À frente dele permanecem apenas Roberto Carlos, com 132 partidas, e Cafu, recordista absoluto com 150 atuações.
A marca evidencia a permanência de Neymar como uma das principais referências da Seleção ao longo de mais de uma década. Desde a estreia pela equipe principal, em 2010, o atacante participou de diferentes ciclos técnicos, conquistou títulos continentais, tornou-se o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira em jogos oficiais e permaneceu como protagonista mesmo diante das mudanças de gerações ocorridas no elenco.
Sua presença na atual Copa do Mundo ocorre em um momento de reconstrução da equipe sob o comando de Carlo Ancelotti. Após retornar de lesão e recuperar espaço no grupo, Neymar passou a integrar uma equipe que encontrou maior equilíbrio durante a fase de grupos, encerrada com duas vitórias consecutivas, liderança da chave e evolução coletiva em torno de nomes como Vinicius Júnior, Bruno Guimarães e Matheus Cunha.
A expectativa agora se volta para a fase eliminatória. Caso o Brasil avance às etapas seguintes, Neymar poderá ampliar ainda mais seus números em Copas do Mundo e consolidar novas marcas históricas com a camisa da Seleção. Aos 34 anos, o atacante chega ao mata-mata acumulando recordes individuais e ocupando um espaço reservado a poucos jogadores na história do futebol brasileiro: o de protagonista em quatro Mundiais consecutivos vestindo a camisa 10 da equipe pentacampeã.