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Política

Bolsonaro disse à polícia do DF que não podia ficar desarmado na domiciliar: ‘três mulheres em casa’

Ex-presidente confirmou ser o dono da pistola apreendida em blitz no DF e disse que precisava da arma porque havia “três mulheres em casa”; caso é analisado pela Polícia Civil, STF e PGR
Redação
24/06/2026 | 13:41

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal e admitiu ser o proprietário da pistola Glock 9 mm apreendida na semana passada durante uma blitz. Segundo investigadores, Bolsonaro afirmou que manteve a arma em sua residência mesmo após passar a cumprir prisão domiciliar e justificou a decisão dizendo que “tinha três mulheres em casa” e que “não podia ficar desarmado”.

A arma estava no veículo de um militar responsável pela segurança do ex-presidente quando foi apreendida pelos policiais. O armamento, registrado em nome de Bolsonaro, não estava acompanhado do certificado de registro exigido para o transporte.

Bolsonaro está estável, mas médicos alertam para "risco de evento potencialmente mortal" - Foto: Ton Molina/STF
Jair Bolsonaro durante depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal sobre a apreensão de uma pistola registrada em seu nome durante uma blitz realizada na semana passada Foto: Ton Molina/STF

O depoimento foi colhido nesta terça-feira 23 no condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de seu estado de saúde. A oitiva durou cerca de cinco minutos e foi acompanhada pelo advogado Paulo Cunha Bueno.

Segundo a defesa, Bolsonaro reiterou a versão já apresentada ao STF. Ele afirmou que havia solicitado a um militar de sua equipe de segurança que verificasse o funcionamento da pistola após suspeitar de um defeito no equipamento. O ex-presidente negou ter determinado que a arma fosse retirada da residência para conserto.

A investigação apura as circunstâncias do transporte da pistola e poderá concluir pela existência de uma infração administrativa ou até mesmo por eventual enquadramento no Estatuto do Desarmamento.

Nesta quarta-feira 24, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio do caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliar se a apreensão da arma pode influenciar a manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente.

Ao justificar a medida, Moraes citou trecho da Lei de Execução Penal que considera falta grave a posse indevida de instrumento capaz de colocar em risco a integridade física de terceiros.

De acordo com investigadores ouvidos pela imprensa, caso seja caracterizada apenas irregularidade documental, o episódio poderá resultar em sanções administrativas. Já se for constatado descumprimento das regras previstas no Estatuto do Desarmamento, a conduta pode configurar crime com pena de três a seis anos de prisão, além de multa.

A pistola foi encontrada em um veículo utilizado por um militar que integra a equipe de segurança de Bolsonaro. Atualmente, os agentes responsáveis pela proteção de ex-presidentes estão vinculados à Casa Civil.