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Política

ONG aciona STF para impedir que mulheres trans contem na cota feminina das eleições de 2026

Ação apresentada pela organização Matria questiona entendimento do TSE em vigor desde 2018 e pode impactar o cálculo da reserva mínima de 30% de candidaturas femininas
Redação
23/06/2026 | 17:26

Uma ação protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela ONG feminista Matria busca impedir que mulheres trans sejam contabilizadas na cota mínima de 30% de candidaturas femininas exigida pela legislação eleitoral brasileira.

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) foi apresentada na última sexta-feira 19 e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A entidade pede que seja derrubado o entendimento adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2018, segundo o qual mulheres trans podem ser consideradas para o cumprimento da cota destinada às candidaturas femininas.

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Ação protocolada no STF questiona regra do TSE que permite contabilizar mulheres trans na cota mínima de candidaturas femininas nas eleições. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A legislação eleitoral determina que os partidos políticos reservem pelo menos 30% e no máximo 70% das candidaturas para cada sexo nas disputas proporcionais. Desde 2018, o TSE interpreta que a regra deve considerar o gênero com o qual a pessoa se identifica, permitindo que candidatas trans sejam contabilizadas na cota feminina.

Na ação, a Matria sustenta que a reserva de vagas foi criada para enfrentar desigualdades históricas enfrentadas por mulheres em razão do sexo biológico e argumenta que o TSE teria extrapolado suas atribuições ao ampliar o alcance da norma.

Segundo a ADPF, a política de cotas foi concebida para corrigir obstáculos estruturais relacionados à participação feminina na política, como a maternidade, a divisão sexual do trabalho e a dupla jornada, fatores que, na avaliação da entidade, justificariam a manutenção da interpretação baseada no sexo biológico.

Caso o pedido seja acolhido pelo STF, mulheres trans deixariam de ser contabilizadas para o cumprimento da cota mínima de candidaturas femininas. A mudança poderia afetar diretamente a composição das chapas partidárias nas eleições de 2026, incluindo candidaturas de parlamentares trans já eleitas, como a deputada federal Erika Hilton, de São Paulo, e a deputada federal Duda Salabert, de Minas Gerais.

Até o momento, não há decisão sobre o caso.