BUSCAR
BUSCAR
Pesquisa

Datafolha: 59% apoiam classificar PCC e CV como terroristas, mas maioria rejeita ação dos EUA no Brasil

Levantamento mostra divisão entre desejo por endurecimento contra facções e defesa da soberania nacional; tema deve influenciar debate eleitoral de 2026
23/06/2026 | 13:46

Uma pesquisa Datafolha revela que 59% dos brasileiros são favoráveis à classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Apesar disso, 74% da população rejeitam qualquer possibilidade de atuação dos Estados Unidos contra integrantes dessas facções em território brasileiro sem autorização do governo nacional.

O levantamento indica ainda uma percepção dividida sobre a motivação da decisão norte-americana. Metade dos entrevistados (50%) acredita que a medida tem como objetivo “ajudar a população brasileira”, enquanto 47% avaliam que se trata de um “pretexto para mandar no Brasil”, evidenciando forte polarização no debate.

PCC - Foto: Reprodução Google
Facção é apontada como uma das maiores organizações criminosas do país Foto: Reprodução

A pesquisa também aponta alto nível de conhecimento sobre o tema: 83% dizem ter ouvido falar da nova classificação adotada pelos EUA, e 72% afirmam estar bem informados ou mais ou menos informados sobre o assunto.

Segundo especialistas ouvidos no estudo, os resultados refletem a presença do crime organizado no cotidiano da população e o impacto político da segurança pública no país. Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, o apoio à medida expressa “um grito de socorro de uma população que teve suas vidas sequestradas pela atuação de facções”.

O debate, no entanto, divide opiniões conforme alinhamentos políticos. Entre eleitores que preferem o PL, 81% veem a iniciativa dos EUA como positiva para o combate ao crime. Já entre eleitores do PT, 69% interpretam a medida como uma forma de ingerência estrangeira.

Ainda assim, a defesa da soberania nacional é ampla: 74% discordam que os EUA tenham direito de realizar ações armadas contra facções no Brasil sem aval do governo brasileiro.

Para a cientista política Maria Hermínia Tavares, o cenário mostra que a segurança pública tende a ocupar espaço central na disputa política. Já o pesquisador Leandro Piquet avalia que a leitura do tema é intensificada pela polarização e pelo debate sobre estratégias de combate ao crime organizado.

O estudo foi realizado com 2.004 entrevistados, entre os dias 17 e 18 de junho, em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.