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Construção civil

Custo da construção sobe 1,1% no RN

CUB alcança R$ 2.105,30 por metro quadrado em maio e reforça pressão sobre construtoras, incorporadoras e investidores
Por O Correio de Hoje
19/06/2026 | 12:41

O custo da construção civil no Rio Grande do Norte manteve trajetória de alta em maio e alcançou o maior patamar do ano. O Custo Unitário Básico da Construção (CUB/RN), principal indicador de referência do setor, registrou avanço de 1,1% em relação a abril, atingindo R$ 2.105,30 por metro quadrado. Com o resultado, o índice acumula o quarto aumento consecutivo em 2026, reforçando um cenário de pressão sobre construtoras, incorporadoras e investidores.

Divulgado mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), o indicador é amplamente utilizado para elaboração de orçamentos, planejamento financeiro de empreendimentos, reajustes contratuais e acompanhamento da evolução dos custos da atividade. O comportamento do CUB também serve como termômetro para avaliar a dinâmica dos preços dos principais insumos utilizados nas obras.

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CUB alcança R$ 2.105 por metro quadrado em maio e registra 4º aumento - Foto: José Aldenir

Segundo o Sinduscon-RN, a sequência de elevações observada ao longo do ano reflete um conjunto de fatores que vêm pressionando a cadeia produtiva da construção civil. Entre eles estão os custos de materiais, mão de obra, transporte, energia e logística, além dos impactos indiretos de oscilações econômicas e geopolíticas que afetam o mercado nacional.

Para o presidente do Sinduscon-RN, Sérgio Azevedo, o cenário exige atenção dos agentes do setor, especialmente em um ambiente marcado por incertezas econômicas e aumento dos custos operacionais. “Observamos um ambiente de aumento de custos que tem sido influenciado tanto por fatores internos da economia brasileira quanto por fatores externos, incluindo as recentes tensões internacionais e seus reflexos sobre combustíveis, energia e logística. É um cenário que exige planejamento e atenção por parte de toda a cadeia produtiva da construção”, afirmou.

As preocupações se ampliam nos contratos de longo prazo, especialmente em obras públicas e empreendimentos privados que foram orçados em um contexto de custos inferiores aos atuais. Segundo Azevedo, a defasagem entre os valores inicialmente previstos e os custos efetivamente praticados pode comprometer a execução de projetos e a sustentabilidade financeira das empresas.

“Em muitos casos, os custos têm avançado em ritmo superior ao inicialmente previsto nos contratos, o que gera desequilíbrios que precisam ser tratados com agilidade. É importante que existam mecanismos céleres de reequilíbrio contratual para garantir a continuidade dos investimentos e a execução das obras”, destacou.

Outro ponto de atenção para o setor está relacionado à evolução dos custos trabalhistas. A construção civil é uma das atividades que mais empregam mão de obra no País e qualquer alteração estrutural nas relações de trabalho tende a produzir reflexos diretos sobre o orçamento dos empreendimentos. Para o dirigente empresarial, o debate sobre mudanças regulatórias deve considerar os impactos sobre produtividade, competitividade e geração de empregos.

“A construção civil é uma atividade intensiva em mão de obra. Por isso, qualquer mudança estrutural nas relações de trabalho precisa ser acompanhada com atenção para que seus impactos sobre custos, produtividade, competitividade e geração de empregos sejam adequadamente avaliados”, afirmou.

O avanço do CUB ocorre em um momento de retomada gradual da atividade imobiliária em diversas regiões do País, impulsionada por programas habitacionais, investimentos em infraestrutura e expansão de empreendimentos residenciais e comerciais. No entanto, a persistência da pressão sobre os custos segue como um dos principais desafios para o setor, que busca equilibrar rentabilidade, competitividade e manutenção dos cronogramas de obras.