A crítica de Luciano Huck ao Bolsa Família levou o deputado estadual Francisco do PT a ocupar a tribuna da Assembleia Legislativa para defender os programas de transferência de renda e permanência escolar como instrumentos de dignidade para famílias pobres. Em vez de tratar o benefício como estímulo à dependência, o parlamentar afirmou que políticas como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia chegam a pessoas que usam o dinheiro para necessidades básicas, como alimentação e remédios.
A fala do apresentador ocorreu durante o 5º Fórum Esfera, no Guarujá, quando Huck afirmou que não haveria estímulo para famílias deixarem o Bolsa Família e que beneficiários buscariam atalhos para permanecer no programa. Depois da repercussão, ele publicou vídeo dizendo que a declaração havia sido tirada de contexto e defendeu melhorias nos programas sociais, inclusive com uso de tecnologia e inteligência artificial.

Francisco rebateu esse argumento a partir da realidade de quem depende da renda mínima. No pronunciamento, disse que muitos críticos desses programas nunca enfrentaram dificuldades financeiras e, por isso, não sabem o que significa acordar sem café da manhã, sem perspectiva de almoço ou jantar e sem saber se haverá comida em casa.
O deputado também citou o Pé-de-Meia, programa federal voltado a estudantes do ensino médio público. A iniciativa funciona como incentivo financeiro para permanência e conclusão dos estudos. Em 2026, o calendário prevê parcela de matrícula de R$ 200, até oito parcelas de R$ 225 por frequência, além de R$ 1.000 por ano concluído, valor que só pode ser sacado após a formatura. O programa também prevê incentivo de R$ 200 para estudantes que participam dos dois dias do Enem.
O Bolsa Família, por sua vez, atende famílias em situação de pobreza inscritas no Cadastro Único, com renda mensal por pessoa de até R$ 218. O benefício mantém piso de R$ 600 por família e inclui adicionais conforme a composição familiar. Há pagamento de R$ 150 por criança de até seis anos e de R$ 50 para gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes de sete a 18 anos incompletos. O programa também exige condicionalidades nas áreas de saúde e educação.
Durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa, Francisco afirmou que os críticos de programas sociais costumam elogiar modelos de países desenvolvidos, como Estados Unidos e nações europeias, mas ignoram que esses países também adotam políticas de proteção social para populações vulneráveis.
O deputado disse ainda que a maioria dos beneficiários não usa o dinheiro para investimento financeiro ou especulação, mas para comprar comida e remédio. Ele afirmou que, se programas semelhantes existissem em sua infância e adolescência, parte das dificuldades enfrentadas por ele poderia ter sido evitada.
Francisco é deputado estadual em segundo mandato, filiado ao PT desde 1990, ex-vereador e ex-prefeito de Parelhas. Em 2022, foi reeleito para a Assembleia com 50.499 votos. No pronunciamento, ele também informou ter apresentado requerimento ao DNIT pedindo recuperação asfáltica da BR-427, no trecho entre Jardim do Seridó, Caicó, Serra Negra do Norte e a divisa com a Paraíba.
Ao defender Bolsa Família e Pé-de-Meia, o parlamentar buscou deslocar o debate da crítica moral aos beneficiários para o impacto concreto dessas políticas na vida de famílias em vulnerabilidade. Para ele, os programas não sustentam privilégios, mas ajudam milhões de pessoas a garantir comida, remédio, estudo e condições mínimas para atravessar a pobreza.