Uma ex-assessora do deputado federal Mário Frias, Gardênia Morais, afirmou ter destinado grande parte dos valores que recebeu enquanto trabalhou no gabinete do parlamentar ao pagamento de despesas vinculadas à família dele e ao então chefe de gabinete. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal g1. Procurado, Frias não comentou o caso.
Segundo Gardênia, os repasses somaram R$ 180,1 mil, o equivalente a cerca de 76% de tudo o que recebeu da Câmara dos Deputados entre fevereiro de 2023 e junho de 2024. O montante inclui empréstimos consignados, transferências via Pix e pagamento de boletos.

O caso levou o Psol a acionar o Conselho de Ética da Câmara, pedindo investigação sobre suspeita de prática de “rachadinha”, termo usado para designar a devolução de salários de assessores a parlamentares ou pessoas ligadas a eles.
De acordo com a ex-assessora, ela contratou cinco empréstimos consignados que totalizaram R$ 174.886. Gardênia afirma que apenas R$ 35 mil foram utilizados para despesas pessoais. O restante, equivalente a R$ 139.886, teria sido empregado, a pedido do deputado e do antigo chefe de gabinete, para quitar dívidas da campanha eleitoral de 2022.
Além disso, ela relatou ter realizado transferências que somaram R$ 40,9 mil para pessoas ligadas ao núcleo do parlamentar, entre elas a mãe de Frias, a ex-mulher dele, o então chefe de gabinete e uma parente de um ex-assessor. Também consta o pagamento de uma fatura de cartão de crédito de R$ 4.832 da esposa do deputado utilizando recursos da conta bancária da ex-assessora.
Em entrevista ao g1, Gardênia afirmou que o parlamentar tinha conhecimento das movimentações financeiras. “O deputado estava ciente de todas as devoluções. Foi um combinado inicial. O deputado sempre participa. Depois, as tratativas do dia a dia ocorriam com o (ex) chefe de gabinete, braço direito do deputado”, declarou.
Dados obtidos a partir de registros da Câmara dos Deputados mostram que Gardênia recebeu, ao longo do período em que esteve lotada no gabinete, R$ 236.686,83 líquidos entre salários, benefícios e indenizações. Assim, os R$ 180,1 mil mencionados por ela representam cerca de três quartos de toda a remuneração recebida.
Os registros também apontam que a ex-assessora teve sucessivos reajustes salariais durante sua permanência no gabinete. Nomeada secretária parlamentar em fevereiro de 2023, ela começou recebendo cerca de R$ 10,3 mil mensais entre salários e benefícios. Após ao menos cinco reajustes em cerca de 15 meses, alcançou remuneração total de R$ 26,6 mil em abril de 2024, considerando salário líquido, auxílios e verbas indenizatórias.