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Investigação

PF apura repasse milionário à família de Ciro Nogueira

Investigação da Operação Sem Refino aponta movimentações financeiras entre fundo ligado ao grupo de Ricardo Magro e empresa registrada em nome de familiares do senador
Por O Correio de Hoje
22/05/2026 | 15:17

A Polícia Federal identificou um repasse de ao menos R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo empresarial da Refit, controlado pelo empresário Ricardo Magro, para uma empresa registrada em nome de familiares do senador Ciro Nogueira (PP-PI). As informações constam na representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Sem Refino e foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a PF, a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda. apareceu na contabilidade da Athena Real Estate Ltda. com movimentações de R$ 14,2 milhões em 2024. A investigação aponta que a Athena era proprietária de imóveis supostamente operados pelo grupo Refit.

Ciro foto Andressa Anholete Senado
Senador do PP afirmou que valores se referem à venda regular de terreno - Foto: Andressa Anholete / Senado

Os investigadores afirmam que a Athena mantinha ligação com a Refit por meio de fundos de investimento. A empresa seria vinculada ao fundo EUV Gladiator, cujo cotista é a Eurovest S.A., apontada pela PF como integrante do conjunto de empresas utilizado para movimentação de recursos.

Em nota, Ciro Nogueira afirmou que os valores se referem à venda regular de um terreno em área valorizada de Teresina. Segundo o senador, a negociação foi declarada aos órgãos competentes e ocorreu “em valores condizentes com o mercado”.

Deflagrada na semana passada, a Operação Sem Refino tem como principal alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). A PF investiga suspeitas de favorecimento ao grupo Refit dentro da estrutura do governo fluminense. O STF autorizou buscas, apreensões e o bloqueio de R$ 52 bilhões em bens de investigados.

Na representação enviada ao Supremo, a PF afirma que o governo do Rio teria atuado em favor dos interesses do conglomerado de Ricardo Magro. Os investigadores também citam reuniões entre Cláudio Castro e integrantes ligados à Refit, além da edição de uma legislação apelidada informalmente de “Lei Ricardo Magro”, criada em 2025 para parcelamento de créditos tributários no estado.

A Refit negou irregularidades e afirmou que as operações prejudicam a concorrência no setor de combustíveis. A empresa declarou ainda que herdou passivos tributários de gestões anteriores e que realizou pagamentos próximos de R$ 1 bilhão ao Estado do Rio no último exercício. Também negou qualquer relação com o crime organizado.

Já a defesa de Cláudio Castro afirmou que o ex-governador está à disposição da Justiça e sustentou que todas as medidas adotadas durante sua gestão seguiram critérios técnicos e legais.