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Mundo

EUA ampliam pressão econômica sobre Cuba

Governo americano anuncia ajuda humanitária, endurece sanções e obtém vitória judicial sobre propriedades confiscadas após a Revolução Cubana
Por O Correio de Hoje
22/05/2026 | 14:48

O governo dos Estados Unidos ampliou nesta semana a pressão política, econômica e judicial sobre Cuba em meio ao agravamento da crise energética e social na ilha. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Havana aceitou uma oferta de ajuda humanitária de US$ 100 milhões apresentada por Washington, embora ainda não tenha concordado com as condições impostas para a liberação dos recursos.

“Eles dizem que aceitaram. Vamos ver se realmente acontecerá”, declarou Rubio. Segundo o chefe da diplomacia americana, os recursos seriam destinados principalmente à distribuição de alimentos e medicamentos por meio da Igreja Católica e de organizações consideradas confiáveis pela Casa Branca. Rubio afirmou ainda que os EUA já enviaram US$ 6 milhões em ajuda humanitária desde o início do ano, parte dela canalizada via Vaticano.

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Cubanos amargam restrições e vão aceitar ajudar financeira dos EUA - Foto: reprodução / internet

Filho de cubanos exilados, Rubio voltou a responsabilizar o regime cubano pela deterioração econômica e pelos sucessivos apagões que atingem o país. Em vídeo publicado na rede X, o secretário afirmou que “aqueles que controlam o país saquearam bilhões de dólares” e reiterou que Cuba continua sendo uma ameaça à segurança nacional americana.

O endurecimento do discurso acompanha a escalada de pressão promovida pelo presidente Donald Trump, que ampliou restrições econômicas e reforçou o embargo energético contra a ilha. Trump afirmou nesta semana que está “libertando Cuba” e minimizou a possibilidade de intervenção direta.

“Não precisa. O país está caindo aos pedaços”, disse o presidente americano.

O governo cubano atribui parte relevante da crise econômica e energética às sanções impostas pelos EUA, especialmente às restrições sobre combustíveis e comércio internacional.

A ofensiva americana também avançou no campo judicial. A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira autorizar a cobrança de indenizações ligadas a propriedades confiscadas após a Revolução Cubana de 1959.

A decisão favoreceu a empresa Havana Docks Corporation, que reivindica compensações pelo uso de um cais em Havana nacionalizado durante o governo de Fidel Castro. O caso abre precedente para novos processos contra empresas internacionais que realizaram operações em propriedades expropriadas pelo regime cubano.

A sentença afeta diretamente grupos do setor de cruzeiros, como Royal Caribbean, Carnival Corporation, Norwegian Cruise Line Holdings e MSC Cruises, que utilizaram o terminal entre 2016 e 2019.

Por oito votos a um, os ministros da Suprema Corte entenderam que bastava comprovar o uso da propriedade confiscada para justificar a indenização. No voto divergente, a juíza Elena Kagan argumentou que os direitos da Havana Docks sobre a área haviam expirado antes da utilização do cais pelas companhias marítimas.

O governo americano sustentou que as indenizações funcionam como instrumento de política externa para desestimular investimentos internacionais em Cuba.

A decisão pode influenciar outros litígios em tramitação, incluindo ações movidas pela Exxon Mobil relacionadas a ativos de petróleo e gás confiscados pelo governo cubano após a revolução.

O ambiente de tensão também envolve o ex-presidente Raúl Castro, alvo de novas acusações ligadas ao episódio de 1996 em que aviões da ONG Irmãos ao Resgate, pilotados por cubanos exilados em Miami, foram abatidos pela força aérea cubana. O incidente provocou crise diplomática entre Havana e Washington e levou à aprovação da Lei Helms-Burton, que endureceu sanções econômicas contra a ilha.