O deputado estadual Hermano Morais (MDB) defendeu, nesta quinta-feira 21, na Assembleia Legislativa, que o Rio Grande do Norte avance na industrialização da cadeia mineral para transformar o potencial do subsolo em emprego, renda e desenvolvimento. Em pronunciamento no plenário, o parlamentar afirmou que o Estado possui riquezas estratégicas, mas ainda precisa criar condições para beneficiar os minérios dentro do próprio território potiguar.
Segundo Hermano, o RN não pode se limitar à extração e ao transporte de minérios para outros estados ou países. Para ele, a mineração só terá impacto mais amplo na economia local se vier acompanhada da instalação de indústrias, infraestrutura rodoviária e portuária, além de políticas de atração de investimentos capazes de completar o ciclo produtivo.

“Precisamos instalar indústrias que possam aqui beneficiar também esses minérios, para que o Rio Grande do Norte não seja apenas um espaço de instalação de minérios a serem transportados para outros estados, para outros países”, afirmou o deputado.
Hermano citou a presença de minerais estratégicos no território potiguar e destacou que o debate sobre terras raras ganhou importância mundial pela utilização desses elementos em setores como tecnologia, energia, baterias e equipamentos industriais. O parlamentar mencionou ocorrências de nióbio, tântalo e lítio em Carnaúba dos Dantas, além de urânio em áreas do Estado.
“Quando se fala hoje em terras raras, é motivo da ambição do mundo inteiro, das grandes potências. No Rio Grande do Norte nós temos terras raras também”, disse.
O deputado lembrou que o Estado já tem tradição mineral e energética, com petróleo, gás e tungstênio, especialmente na região de Currais Novos. Também citou a exploração de ouro no Seridó, que vem reforçando a arrecadação mineral nos últimos meses. Dados recentes apontam que o RN arrecadou R$ 8,3 milhões em royalties da mineração nos quatro primeiros meses de 2026, com Currais Novos concentrando R$ 6,9 milhões, principalmente em razão da produção de ouro.
Para Hermano, esses números mostram que a mineração já produz efeitos econômicos concretos, mas ainda há um desafio maior: fazer com que a riqueza extraída gere valor dentro do próprio Estado. Na avaliação dele, o RN precisa atrair empresas capazes de processar os minérios, ampliar a cadeia de fornecedores, criar empregos qualificados e aumentar a arrecadação dos municípios.
O parlamentar também citou o Projeto Ferro Potiguar, que envolve municípios como Tangará, Sítio Novo, Lagoa de Velhos e Senador Elói de Souza. O empreendimento é apontado como uma das principais apostas da mineração potiguar e prevê exploração de minério de ferro no Agreste. Hermano defendeu que projetos desse porte sejam conduzidos com responsabilidade ambiental e preocupação com a qualidade de vida das comunidades.
“É um projeto que está sendo construído, claro, precisa ter todos os cuidados de forma a preservar a qualidade de vida da população, ou seja, do desenvolvimento com sustentabilidade”, afirmou.
Hermano lembrou ainda a existência de reservas de ferro em Jucurutu e voltou a cobrar infraestrutura para que o Estado consiga aproveitar melhor suas reservas minerais. Para ele, sem estradas adequadas, estrutura portuária e capacidade industrial, o RN continuará perdendo parte importante do valor econômico gerado pela mineração.