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Prisão

Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

Investigação aponta movimentação milionária, bloqueio de R$ 357,5 milhões e ligação com esquema atribuído à cúpula da facção
Redação
21/05/2026 | 07:24

Uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil de São Paulo prendeu, na manhã desta quinta-feira 21, a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra durante investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações são do G1.

A ação faz parte da Operação Vérnix, que também teve mandado de prisão expedido contra Marco Herbas Camacho, apontado como chefe da facção criminosa e atualmente preso. Além dele, parentes e pessoas ligadas à organização também são alvo da investigação.

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Operação mira influenciadora Deolane Bezerra e família de Marcola por lavagem de dinheiro do PCC — Foto: Reprodução

Entre os presos está Everton de Souza, identificado pela investigação como operador financeiro do grupo criminoso.

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, a investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, apontada como controlada pela cúpula do PCC.

Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Também foram determinados bloqueios de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros e o sequestro de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.

Os agentes cumpriram mandados na residência de Deolane, em Barueri, e em outros endereços ligados à influenciadora. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, apontado como filho de criação de Deolane, e um contador também foram alvos de busca e apreensão.

De acordo com a investigação, Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20).

Investigação começou em 2019

Segundo os investigadores, a apuração teve início em 2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.

O material deu origem a três inquéritos policiais que identificaram ordens internas da facção, movimentações financeiras e supostos esquemas de lavagem de dinheiro ligados à organização criminosa.

A investigação aponta que valores provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, ao irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, e a familiares.

Segundo a polícia, as contas de Everton de Souza e Deolane Bezerra eram utilizadas nas movimentações financeiras investigadas.

Os investigadores afirmam que Deolane mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos chamados gestores fantasmas da transportadora.

A apuração também identificou circulação de valores milionários, aquisição de bens de alto padrão e movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada.

Entre 2018 e 2021, segundo a investigação, Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”.

Além disso, quase 50 depósitos realizados em contas de empresas ligadas à influenciadora somaram R$ 716 mil, conforme a investigação.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra, valor que, segundo os investigadores, possui indícios de lavagem de dinheiro.

Justiça apontou risco de fuga

Ao decretar as prisões, a Justiça de São Paulo considerou haver indícios de autoria, movimentações financeiras suspeitas e risco de destruição de provas.

A decisão também cita possibilidade de fuga e ocultação de patrimônio, principalmente porque parte dos investigados estaria no exterior.

Segundo a investigação, Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe do PCC, estaria na Espanha, enquanto Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, estaria na Bolívia.