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Delação de Daniel Vorcaro perde força com novas revelações

Investigadores apontam omissões em proposta do controlador do Banco Master e avanço de outras colaborações pressiona banqueiro
Por O Correio de Hoje
18/05/2026 | 15:14

Dois meses após iniciar negociações para um acordo de delação premiada, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, enfrenta dificuldades para convencer investigadores de que está disposto a colaborar de forma efetiva.

A primeira proposta apresentada por sua defesa, em 5 de maio, foi considerada insuficiente por integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Na avaliação dos investigadores, Daniel Vorcaro omitiu fatos relevantes já conhecidos pelas autoridades, como a suposta mesada de até R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e as tratativas com Flávio Bolsonaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Daniel Vorcaro Master
Dono do Master está preso desde março - Foto: Reprodução

Com o avanço das investigações, a situação do banqueiro se complicou. Na semana passada, a Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, apontado como operador financeiro do grupo investigado. Segundo a PF, ele teria sido usado para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas das fraudes.

Outro fator que pressiona Daniel Vorcaro é a movimentação de outros investigados interessados em colaborar com a Justiça.

O caso mais avançado é o do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso sob suspeita de negociar o recebimento de R$ 146 milhões em propina em troca de favorecer o Banco Master em operações consideradas fraudulentas. A expectativa é que ele assine um termo de confidencialidade e entregue detalhes do chamado “caminho do dinheiro”, no Brasil e no exterior.

Na avaliação de investigadores, quem fechar primeiro um acordo consistente poderá obter benefícios maiores, enquanto delações posteriores precisarão apresentar informações novas e relevantes.

Daniel Vorcaro chegou a pedir transferência do presídio federal de Brasília e proteção para familiares como condições para negociar. Ele foi levado para uma cela na Superintendência da PF, mas poderá retornar ao sistema penitenciário federal por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

A investigação apura a existência de uma organização criminosa voltada à fabricação e venda de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao Banco de Brasília, em operações que somam R$ 12,2 bilhões.

Com novas omissões identificadas, o cerco sobre Daniel Vorcaro se intensifica e a possibilidade de um acordo vantajoso para o banqueiro parece cada vez mais distante.